Pelo menos aqui na escola, acho que ela ainda deve ser a pessoal mais tranquila para se conversar. Minha primeira impressão dela foi horrível, mas ao menos deve valer o esforço manter ela pressionada.

Eu pensei ter visto uma sobra ao fim do corredor quando me virei, mas……

Deve ter sido mesmo a minha imaginação. Droga. Será que devo perguntar para a Sakurai?

Rusalka: “Reeen-kun!”

“————!?”

Rusalka: “O que foi? Por que está tão inquieto? Por acaso é comigo?”

Ela me abraçou por trás, do nada, me deixando sem o que dizer. Eu nem percebi ela chegando perto, como ela fez isso……?

Rusalka: “Aah, essa sua carinha me machuca assim. E eu nem vou te comer nem nada assim.”

“Vamos, relaxe! Relaxe! Sorria!”

Ren: “…………”

Rusalka: “Fuun, escuta aqui, não é assim que você deve reagir quando uma garota chega em você e começa a conversar.”

“Vou ficar brava assim, sabia?”

“……!”

Ela agarrou meu braço e beliscou a palma da minha mão. Não chegou a doer, mas foi o bastante para eu voltar a mim.

Ren: “……Foi mal. Você… poderia se afastar?”

Rusalka: “Ehh, por quê?!”

Ren: “As pessoas podem nos ver.”

Sem nos virem juntos aqui, podem pensar que somos um casal flertando. Isso é algo que eu prefiro evitar a todo custo.

Rusalka: “Ah, entendi! Não quer que a Kasumi nos veja, né?”

“Ei, ei, fala a verdade, você e a Kasumi estão saindo?”

Ren: “……E por acaso isso importa?”

Só de ouvir o nome da Kasumi saindo da boca dela já me deixa enojado.

Vendo que não íamos sair disso, eu me sacudi para a Rusalka me largar.

Rusalka: “Ah, poxa, quanta violência. Não pode isso! Você precisa ser gentil com as garotas.”

“Você sempre trata a Kasumi assim?”

Ren: “Eu já disse que isso não vem ao caso.”

“Tanto faz a Kasumi. Eu tenho assuntos a tratar com você.”

Rusalka: “Ooh, que ousadia. Garotos japoneses não são nada sofisticados.”

“Ehehe, isso é bom. Eu gosto dessa parte dos garotos desse país.”

“Então, o que tem a tratar comigo? Vai me levar para um lugar deserto e me forçar a falar?”

Ren: “……Infelizmente, não planejo fazer isso nem deixar que faça isso.”

“Só me acompanhe. Quero conversar uma coisa.”

Rusalka: “Fuun, que sem graça. Eu até deixaria que me levasse, sabia?”

Ren:“……Ei, chega disso.”

Eu sei que ela é perigosa quando se irrita, mas toda essa bobagem está me irritando.

Que cara de pau tentar agir como se fosse normal. Até onde ela vai para de debochar de mim? Embora seja realmente mais fácil conversar quando ela coloca essa máscara e não tenta me matar……

Rusalka: “Poxa, você tem mesmo um pavio curto. Bem, tanto faz. Eu imaginei que logo viria atrás de mim.”

“Certo, vamos para outro lugar? Aonde quer ir?”

Ren: “…………”

Eu mantive minha irritação dentro do meu peito e murmurei.

Ren: “……Pro telhado.”

Rusalka: “Hmm, não é o lugar mais romântico de todos… mas tudo bem, afinal não está acostumado a namorar.”

“Não tem jeito mesmo. Vou te ensinar como funciona. Vamos, segura meu braço assim.”

Ela falou enquanto apontava, como se estivesse dizendo para eu abrir os braços? Ela quer que eu a abrace? Que piada.

Rusalka: “Ah, espera aí! Como pode me deixar sozinha?!”

Ignorando completamente os resmungos atrás de mim, eu segui para o telhado.

Aquilo foi tudo atuação. Eu não serei enganado por sua aparência e comportamento. Sabendo como ela realmente é, eu não posso me descuidar.

Mesmo com minha cabeça completamente exausta, parece que ainda tenho forças para fazer meus próprios julgamentos.

E assim cheguei ao telhado. Eu caminhei até o centro e me virei, encarando a Rusalka.

Rusalka: “Muito bem, sobre o que gostaria de conversar? E como vai querer conversar?”

A forma como o seu sorriso brilhante faltava com despeito estava me deixando louco.

Mas não posso deixar que ela dite o ritmo da conversa. Preciso me manter caso eu quiser alcançar os resultados desejados.

“……Primeiro, eu quero fazer uma pergunta. Depois você responde o que for capaz.”

“Mas não minta, de jeito nenhum.”

Rusalka: “Entendi. Vamos começar, pode perguntar.”

“Aah……”

Ainda surpreso em como ela prontamente concordou em responder, eu me preparei mentalmente as perguntas que queria fazer.

O que devo perguntar agora?

Ren: “O que são vocês?”

Eu fiz a pergunta mais simples e importante de todas.

“Sei que não são normais. Nenhuma pessoa normal ficaria vagando pela noite aquela hora.”

Então, por que estavam fazendo todas aquelas coisas?

“Vocês tem alguma relação com os casos de assassinato?”

Rusalka: “Hmm, boa pergunta. ”

“Será que o envolvido não é você?”

“Eu sou o assassino?”

Rusalka: “Ora, não é?”

Mesmo que diga, eu não sei. Não, eu não diria mesmo que soubesse.

Realmente, dada as circunstâncias misteriosas, é minimamente plausível.

“……Eu não tenho motivos para cometer um assassinato.”

Rusalka: “Isso é uma desculpa? Sua lógica é bem fraca.”

“O que está ocorrendo aqui será mesmo tão simples assim? O que você acha?”

Ren: “…………”

Rusalka: “Acha mesmo que algo que você não confia pode se tornar seu trunfo? Seja mais realista, por favor. Você parece ter mesmo talento para coisas assim.”

“Ao eliminar o impossível, seja o que for que reste, não importa o quão improvável seja, deve ser verdade. Não consegue pensar dessa forma? Ou não quer pensar dessa forma?”

“Ou está com medo de fazer isso?”

Ren: “……Cuide da sua vida. Não estamos falando sobre mim.”

“Sou eu quem quer saber. Além disso, você não respondeu a minha pergunta.”

Rusalka: “Hmm, realmente, tem razão.”

Assim que levantei um pouco a minha voz, a Rusalka rapidamente se afastou.

Eu fiquei pensando no que ela iria dizer.

Rusalka: “Eu sou uma Ritter — pense dessa forma.”

Ren: “……Hã?”

Que que é isso? Sério, não faço a menor ideia.

Rusalka: “”Eques”, “Knight”, “Cavaliere”……Ou seja, cavaleiros.”

“Ah, não é como os samurais deste país. Nós não prezamos por lealdade respeito nem nada parecido.”

“Hmm, mas assim não podemos nos dizer que somos cavaleiros, né? Bem, por mim tanto faz.”

Ela parece ter chegado a uma conclusão sozinha, me deixando completamente para trás.

Cavaleiros? No século XXI? Que piada mais idiota.

Ren: “Responda a sério!”

Rusalka: “Ei, isso foi rude, sabia? Eu não contei nenhuma mentira. É a mais pura verdade!”

“Bem, pode ser um pouco difícil de entender já que não usamos mais espadas ou armaduras.”

Ren: “Se não é mentira nem piada, então não passa de asneiras de alguém que não bate bem da cabeça.”

Rusalka: “O quê? Agora pouco você disse que éramos estranhos, seu… Dizer isso agora não é meio repetitivo? Você que é estranho!”

“Certo, muito bem. Acho que colocarei de outra forma agora.”

“Se estivermos falando de mim, eu não seria uma Rittercavaleira, mas uma Hexebruxa;”

“Ou seja, eu posso usar magia! Fez mais sentido agora?”

Ren: “Usar……magia?”

Rusalka: “Sim, embora eu não fique voando numa vassoura.”

Ren: “…………”

Apesar do seu tom brincalhão, ela sempre é assim, então não sei dizer se é verdade ou mentira.

Mas, pelo menos uma vez, eu realmente presenciei ela usando magia.

Depois de apanhar daquele Wilhelm, ela curou meus ferimentos.

Aquilo foi uma ilusãotrick ou foi realmagic? ……Eu não sei, mas é melhor deixar isso de lado por ora. Duvido muito que ela responda francamente.

Rusalka: “Então, mais alguma pergunta?”

Sinto que ainda não tive uma resposta completa, mas……

Ren: “O que é Zarathustra?”

Rusalka: “Bem, o que poderia ser?”

Ren: “Foi como me chamou.”

Rusalka: “Sim, realmente. E você não negou, negou?”

Ren: “……Não.”

Esse não é o meu nome.

Porém, acredito que esse Zarathustra que eles ficam falando se refira ao culpado.

Rusalka: “Não me importo de contar, mas não é como se fosse entender. O que devo fazer?”

“Ei, Ren-kun, só uma perguntinha: seus pais são japoneses?”

Ren: “……Quê?”

Rusalka: “Então, estou perguntando se a sua linhagem é puramente japonesa.”

Ren: “…………”

Do que ela está falando de repente? Apesar disso, eu respondi honestamente.

Ren: “Não sei sobre meu passado distante, apenas até os meus avós.”

Ao menos foi o que ouvi.

Ren: “E daí?”

Rusalka: “Entendi. Então as chances são baixas. Embora você não pareça fora do lugar……”

Ren: “……Ei!”

O que está supondo sem o meu consentimento? Sou eu que não faz ideia do que está acontecendo.

Rusalka: “Seu sobrenome vem do pai? Ou da mãe?”

Ren: “Sério, por que está me perguntando isso?”

Rusalka: “Hm, sabe, todos estão curiosos, sabia?”

Ren: “Todos……?”

Rusalka: “Sim, os meus companheiros. Nem todos estão reunidos, mas cerca da metade está aqui.”

“Eles devem chegar em breve, por isso estou perguntando agora.”

Ren: “…………”

Companheiros? Os companheiros dela? Ainda tem mais gente como ela?

Rusalka: “Zarathustra supostamente deveria herdar a Ewikgeit do Mercurius e possuir a mesma Ahnenerbe……ah, desculpa, não faz ideia do que estou dizendo, né?”

“De qualquer forma, tem uma pessoa entre nós que não consegue se integrar muito bem, por isso Zarathustra assumirá. Mais do que um membro extra, ele seria um substituto.”

Ren: “Ou seja, ele……”

sou eu……

Ren: “Um dos seus companheiros?”

Rusalka: “Não sei, será? Sempre foi difícil de dizer se ele era nosso aliado ou não. Ele é um cara meio degradável, sabe?”

Ele……?

Ren: “Está falando do Mercurius?”

Rusalka: “Sim.”

Mercurius……Se não me engano, isso é Mercúrio em latim, e outro nome do Hermes, da mitologia grega. Também se refere ao elemento químico……

Rusalka: “Bem, seja como for, nós também não sabemos muito sobre o Zarathustra . Nada além do significado do seu nome.”

“Por isso, sim. Se estiver interessado, por que não lê o livro do Nietzsche? Se não se importar com o alemão, eu posso te emprestar, sabia?”

Ren: “…………”

“Não, tudo bem.”

Muito além de eu não conseguir ler alemão, eu não quero nada emprestado dela.

Chega. Vamos parar por aqui.

Ren: “Tinha mais um, né? Onde ele está?”

Rusalka: “Fala do Bey?”

Ren: “Sim, esse aí.”

Aquele homem pálido de cabelos brancos. Nem precisa dizer que ele parece a maior ameaça.

Sem dúvida quanto a Sakurai, e parece que também posso conversar com a Rusalka, mas eu nunca conseguiria manter uma conversa com aquele cara.

Só de saber que aquele cara está na cidade já faz meu coração sair pela boca……

Me vendo pensar nisso, a Rusalka exibiu um sorrisinho.

Rusalka: “Você odeia mesmo ele, não é? Bem, é sempre assim.”

“O Bey……não, sim, o nome dele é Wilhelm Ehrenburg, lembra?”

Ren: “……Sim.”

Rusalka: “Fufu, é um nome tão elegante, mas não combina nada com ele. Pode rir, eu não me importo.”

Wilhelm……não tenho tanta certeza, mas parece um nome da Europa central, mas se for isso……

Ren: “Por que o chama por outro nome? Não, não é só ele, a Sakurai também.”

Eu me lembro……delas usarem um outro nome estranho.

Rusalka: “Hm, sobre isso… é tipo um apelido.”

“Igual quando nos alistamos e juntam nossa personalidade com nossas características. Eu não me importo muito, mas isso parece ser um passatempo dos fundadores. ”

“Então, sobre onde o Bey está…sinceramente, eu não sei.”

Ren: “…………”

Rusalka: “Ei, qual é? Eu não sei mesmo, quer que eu faça o quê? Está duvidando de mim?”

Ren: “……Um pouco.”

Eles não parecem do tipo que ficam acompanhando aonde o outro vai, mas duvido que ela ao menos tente dar um palpite.

Ren: “Ao menos deve saber se ele está na cidade ou não.”

Rusalka: “É claro que não sei. Ele é temperamental, então deve estar se divertindo em algum canto.”

“Mas ele não costuma sair durante o dia.”

Ren: “O que quer dizer……?”

Rusalka: “Não vou dizeeeer. Isso já está me incomodando, então chega de falar dele.”

Fazendo beicinho, ela desviou o seu olhar…….Fazer o quê? Não parece ter sido intencional, mas é melhor não deixar ela irritada.

Ren: “Então, por que vieram para esta cidade? Qual o objetivo de vocês……?”

Rusalka: “Hã? O que vai fazer se souber?”

Ren: “Não farei nada, mas não vou conseguir me acalmar até saber.”

Rusalka: “Sabe que saber pode não te deixar mais tranquilo, né?”

Ren: “É algo preocupante?”

Rusalka: “Será?”

Olhando para mim com um olhar sugestivo, a Rusalka riu baixinho.

Isso de ficar deixando tudo no ar faz parte da personalidade dela? Porque não é nada que mereça ser elogiado.

Ren: “Você se diverte me atormentando? Se não vai responder, então diga de uma vez.”

Rusalka: “Vai ficar satisfeito se eu disser, Ren-kun?”

Ren: “……Bem, acho que não.”

Rusalka: “Viu só? Está me complicando.”

Ela absolutamente não parece estar, mas… droga, não vamos avançar nada assim.

Rusalka: “Vamos, ser esquentadinho não é nada bom. Pensei que fosse do tipo mais paciente, mas parece que me enganei.”

“Eu também quero responder as suas perguntas da melhor forma possível, mas não acho que vai entender as respostas assim. Você pode acabar ficando e irritado e dizer que estou falando besteira.”

“Nenhum de nós quer isso, certo? Mas se agitar assim não é nada elegante. Eu estou escolhendo cada uma das minhas palavras, então não acha que você também deveria ser um pouco mais cortês.”

“Ei, como vai ser?”

Ren: “…………”

Parece que não tenho escolha……tenho?

Ren: “Entendi, assim como disse antes, qualquer coisa serve, desde que não seja mentira.”

“Por isso——”

Rusalka: “Yaan, poxa, Ren-kun, você é tão gentil! Eu te amo!”

Ren: “Não me abrace assim do nada. Nem brinca com isso, me solta logo!”

Rusalka: “Qual foi, poxa? Seu envergonhadinho!”

Enquanto dizia isso, apesar de relutante, ela me soltou.

Ela é a mesma pessoa da noite passada? Estou meio perplexo com isso……

Rusalka: “O principal motivo que nos trouxe até essa cidade foi uma promessa que precisa ser cumprida.”

“Nós nos reunimos muuuito tempo atrás e fizemos uma promessa — de um dia alcançarmos nossos objetivos.”

“Embora cada um de nós tenha seu próprio objetivo, há um pré-requisito que temos que cumprir primeiro e estamos fazendo isso.”

“Nós precisávamos vir para este cidade fazer isso, e precisamos da cooperação de vocês. Pode aceitar assim por hoje?”

Ren: “…………”

Honestamente, eu não entendi nenhum dos pontos principais.

Ren: “Com cooperar… o que você quer que nós façamos?”

Rusalka: “Tanto faz, não nos importamos se não fizer nada. Só precisa estar aqui.”

Ren: “O quê?”

O que isso deveria significar?

Rusalka: “Então, eu disse que não ia entender mesmo. Se você tem mesmo um parentesco com o Mercurius, então tudo isso até faz sentido.”

Ren: “…………”

Merda, não estou entendendo nada.

Rusalka: “Dito isso, essa conversa também acabou. Eventualmente você vai entender, então não precisa se apressar.”

“Não faça essa carinha. Não é como se eu estivesse planejando fazer algo ruim. Confie em mim.”

Ren: “Eu posso?”

Rusalka: “Cabe a você decidir, não é?”

Ren: “…………”

Rusalka: “Não?”

Sinto que consegui desviar dessa, mas não acho que vou conseguir tirar mais alguma coisa sobre isso.

Ren: “O que pretendem fazer comigo?”

Rusalka: “Fazer o quê?”

Ren: “Pretendem me sequestrar e me torturar?”

Rusalka: “Hã? O que é? Você tem fetiche por isso, Ren-kun?”

“Poxa, para com isso! Esse seu imaginário é hilário!”

Como se tivesse ouvido uma piada agradável, a Rusalka começou a se contorcer de tanto rir.

Rusalka: “Aha, ahahaha, não, não não, foi mal, mas que coisa. Espera aí, Ren-kun, é muito engraçado ver você falando isso com uma cara tão séria, ufu, ufufu, ahahahahahahaha. ”

Ren: “…………”

Ver ela se matando de rir só me deixou ainda mais irritado.

Ren: “Bem, desculpe por ter um imaginário hilário, mas você tentou me matar no nosso primeiro encontro.”

Além disso, quem foi que se transferiu de escola no dia seguinte, só para colocar mais pressão em cima de mim? Eu sequer consegui dormir direito durante essa semana.

Rusalka: “Ahaha, haa, não, bem, me desculpa. Parece que você tem uma imaginação muito vívida. Puxa, a juventude é mesmo maravilhosa.”

“Então, deixa eu ver, sequestrar e torturar? Pupu, ahaha, até parece. Eu sequer pensei nisso. Não precisa se preocupar, está tudo bem.”

Ren: “…………”

Rusalka: “Ah, que coisa… por acaso ficou bravo? Se ficou, desculpa, anime-se.”

Ela falou como se estivesse tentando confortar um pirralho. Não quero ouvir isso de alguém que está no mesmo ano que eu.

Porém, meu temperamento só vai dar mais motivos para ela continuar me tratando assim.

Ren: “Então, e quanto a sua resposta?”

Rusalka: “Ah, claro. Sobre isso, sinceramente, não pensamos em nada de particular.”

“Como posso dizer? Nosso primeiro encontro foi meio que naquelas, né? Mas sabe, se não for você quem procuramos, então não faz diferença. Seria perda de tempo ir atrás de você.”

“Por isso, isso não passa de uma coincidência, sabia? Não é como se eu tivesse vindo para cá por sua causa.”

Ren: “Ei, espera.”

O que foi que ela acabou de dizer?

Ren: “Coincidência??”

Rusalka: “Sim, só aconteceu de só você estar no lugar que escolhemos. Acreditaria em mim assim?”

Ren: “…………”

Não acreditarei, mas…ela não parece estar mentindo.

Ren: “Então, se eu estar aqui é coincidência, vocês terem escolhido esse lugar também é coincidência?”

Rusalka: “Oh, você é rápido. Isso, muito bem, eu sabia, você é mesmo afiado.”

Ren: “Não brinque comigo.”

Rusalka: “Desculpa, é força do hábito.”

“Então, sobre a pergunta de agora pouco, a resposta é não —— temos nosso próprio motivo para isso.”

“Esse lugar é conveniente para nós, é por isso. Fácil de se infiltrar, flexível quando necessário e ajuda a economizar tempo.”

“Espera, por acaso eu estou deixando você nervoso?”

Ren: “Não……”

Ou seja, o negócio deles não é comigo, mas com a escola, só que não consigo pensar no que possa ser.

Ren: “Significa que não tem interesse em mim?”

Rusalka: “Eu não diria isso, eu fiquei feliz na hora que soube que estava aqui.”

“Além disso, parece até que é pra ser assim, sabia? E, pessoalmente falando, eu o acho muito interessante.”

“Afinal, não sente como se fosse obra do destino?”

Ren: “…………”

“……Pode ser.”

Realmente, parece uma reviravolta sinistra do destino. Logo quando eu nunca mais queria encontrar essa gente.

Já ouvi o que queria.

Acho que já está bom, por ora.

Tentando entender tudo que foi dito até agora, eu me inclinei na cerca e olhei para o céu.

Sinceramente, sinto que não entendi nada da parte importante. Mas agora sei do perigo de pisar em outra das minas deles.

Por isso respirei fundo —— preciso me acalmar, preciso acompanhar isso.

O que devo fazer a partir de agora? Como eu devo lidar com essa gente?

Não consegui entender metade do que ela disse, mas teve ao menos uma coisa que a minha intuição entendeu.

Mesmo não estando em nenhum perigo imediato, não é hora de ficar otimista.

Afinal——

Ren: “Rusalka.”

Rusalka:“Que foi?”

Ela é maluca. Não é normal. Não importa quantas faces ela tenha, não deixa de exalar sua aura perigosa.

Ren: “Se você……”

Se essa gente……

Ren: “…nesta escola, mesmo que um pouco……”

Rusalka: “Se tentarmos qualquer gracinha, não vai nos perdoar……é? Ufufu, você é mesmo galanteador, Ren-kun.”

“Naquela hora também foi assim. Fiquei impressionada que tentou enfrentar o Bey. Você é mesmo homem, mas…”

“Ao menos você percebe que enfrentar alguém na qual não pode vencer não é bravura, né?”

Aquilo foi impulsivo. Uma coragem precipitada.Um tolo ato de narcisismo.

Sim, ao menos eu sei disso. Por isso não posso responder nada.

Uma pessoa que só luta contra quem pode vencer é covarde, mas que só late e não morde, não passa de um tolo.

Rusalka: “Sim, você não é tão idiota assim, por isso eu estava pensando…”

“E se você tivesse uma carta na manga para vencer……algo assim.”

Ren: “…………”

Rusalka: “Você disse naquela hora, lembra? Quando perguntei o que pretendia fazer.”

Ren: “……Não.”

“Está me superestimando……”

Rusalka: “Mesmo? Então, foi o que chamam de Yamato-Damashii? Mentalidade do Bushidou? Kamizake? Fugir diante do inimigo é a desgraça de um cavaleiro? Tipo isso?”

“O que também engloba essa situação de agora, não?”

Dizendo isso, ela inclinou levemente a cabeça.

Merda —— mas não posso ficar em silêncio. Assim vai parecer que ela é um gato brincando com o rato.

Ela poderia agora mesmo pelo menor dos equívocos. É como se eu estivesse andando sobre o gelo fino, mas, mesmo dizendo isso……

Rusalka: “Eu posso não parecer, mas eu já tenho muita experiência de vida, sabia?”

“Seus olhos, como posso dizer……estão cheios de convicção. Parece ser algo como confiança, então poderia ser——”

“Você é do tipo de humano que não vai morrer aqui —— é o que está pensando?”

Ren: “————”

É igual daquela vez……

Diga-me, já experimentaste do sentimento da presciência?

 Atribuir validade à presciência é, de fato, parte de sua natureza. Você permanece diferente de quem eu era, quem ainda anseia desesperadamente pelo desconhecido.

 Odeie-a e ame-a. Proteja-a e destrua-a.

 Atue como meu substituto e subverta esta Leighetto.

Inconscientemente, eu dei alguns passos para trás.

Rusalka: “Nfu, ufufufufu……”

A Rusalka riu, embora, no fundo dos seus olhos, habitasse ainda a mesma lâmina gélida da noite anterior.

Eu senti medo —— não apenas do seu olhar, mas do significado por trás de suas palavras……

Eu não morrerei aqui. Então não importa qual ação tola ou precipitada eu tome. O pior dos cenários não virá. Sendo assim, não há do que ter medo.

Eu tenho certeza.

Como se eu já soubesse disso.

……Impossível.

Não, não pode ser. Eu não tenho tal poder.

Eu pressionei minha mão contra a boca, tentando lutar contra um ataque de náusea… enquanto a Rusalka começou a falar como se cantarolasse.

Rusalka: “Você… é mesmo fascinante, sabia?”

“Não sei dizer se é forte ou fraco, se é preto ou branco. Se é meio louco ou maluco. Eu realmente não sei dizer.”

Subitamente, ela passou por mim após dizer isso.

Ren: “……Ei!”

Rusalka: “Tudo bem, não se preocupe. Preciso garantir que está no mesmo nível da Leon ou acima. Não farei nada de estranho.”

“Mas, sabe?”

Ela se virou para mim e me olhou com um olhar afiado. A sua sombra estava refletida contra a cerca sob pleno sol do meio-dia.

Tem algo de misterioso em relação a essa sombra……

Rusalka: “Eu não sou mais quem fui no passado. Agora, eu não perderia nem mesmo para a Samiel, o Schreiber ou o Machina.”

“Por isso, se continuar me subestimando, vou acabar comendo você.”

Ela começou a se distanciar, adicionando uma última fala descarada.

Rusalka:“Eu gostaria que pudéssemos nos dar bem, afinal você é muito fofo, Ren-kun.”

Ren: “…………”

Até mais! Nos vemos na sala de aula!”

Como se fosse uma pessoa completamente diferente de agora pouco, a Rusalka deixou o telhada muito animada.

Observando ela ir, inconscientemente deixei palavras saíram da minha boca.

Ren: “……Tá brincando?”

Nos dar bem? Que piada!

Olhando para sombra, eu notei que a parte onde sua sombra estava tocando, e apenas essa parte, ficou em pedaços, como se anos de ferrugem tivessem a consumido por décadas. Essa cerca já não tem mais valor algum.

O que aconteceria se ela fizessem o mesmo durante a aula? Se isso acontecer, eu preciso fazer alguma coisa……mas…

Ren: “——Merda!”

O que eu acabei de pensar? Foi só por um instante, mas pensei que seria bom ser como eles… Até parece, sério?

Eu sou humano; não sou um monstro. Não sou esse tal de Mercurius nem Zaratustra que ela mencionou!

Olho por olho, dente por dente… e monstro por monstro? Um pensamento barato desses parece mais querer fugir da realidade. Uma escolha dessas não passa de um sonho, não detém de valor maior do que um solilóquio absurdo.

Não quero perder, mas também não quero fugir. Então preciso usar minha cabeça pois não quero deixar que esses caras continuem nesta escola.

Então —— o que eu faço?

Ren: “……Merda.”

Sem forças, eu lentamente caí ao chão, esticando meus membros formando o kanji 大 (grande).

Mesmo pensando, não encontro uma respostas. Nunca encontrarei.