Ano de 2006 —— Alemanha. Em um trem em direção a Berlim.

Kouhai: “Perdoe-me por vir informá-la repentinamente — Senpai, como você está? Aqui é sua amada filhotinhakouhai. Gostaria de me ver latir?”

“Eu sei que você já deve estar sabendo, mas eu decidi seguir os seus passos e estou em uma viagem para ir estudar na Universidade de Artes de Berlim. No momento, eu estou escrevendo isto ao mesmo tempo que aprecio o elegante cenário pela janela, junto ao balanço do trem enquanto o tempo passa.”

“Na verdade, eu sempre pensei que Paris combinasse mais comigo.”

“Bem, mas acontece que uma certa senpai muito alemã, mais alemã que o mais alemão, pode não ter feito nenhum amigo, então fiquei preocupada e estou indo fazer companhia a ela.”

“E também, isso surpreendeu até a mim, mas parece que a minha natureza faz de mim uma leal filhotinha que não consegue se sentir completa sem os seus punhos na minha vida.”

“Sinceramente… sendo uma mulher solteira na idade em que se costuma casar…eu me pergunto como posso ser domesticada por uma senpai ao invés de um namorado…”

“Hã? Você não se importa com essas coisas idiotas? Sim, sim, você deveria ser mais honesta. Para a sua informação, meu namorado é mesmo muito legal. E eu estou deixando esse bonitão no Japão só para ir atrás de você. Você deveria me agradecer por isso.”

“Você deve estar resmungando como sempre, sobre como quer me ver longe, e que eu deveria me calar e apenas balançar o rabo quando for ordenada, assim com um cachorrinho, mas sei que tudo isso é uma forma de amor — do tipo de que não me permite deixá-la solitária.”

“Ah, eu sei que só vou deixar você irritada falando essas coisas. Sim, realmente. Eu consigo entender você perfeitamente agora…”

“Filhotinhos podem parecer divertidos, mas ter que cuidar deles é algo completamente diferente. Eles aparentam ser bonitinhos no começo, mas lidar com eles é mesmo cansativo, especialmente quando começam a olhar para você com aquele olhar dócil. Depois fica difícil de se livrar deles.”

“Pensando no que foi dito… sinto que consigo entender como eu me sinto sobre você agora…”

????: “Ei, ei, moça, aonde está indo? Hein?”

Indo direto ao ponto, bem eu…eu acabei acolhendo uma filhotinha completamente branquinha.

Filhotinha: “Você está dizendo que estava indo encontrar alguém que você admira muito, certo? E você ainda veio do Japão. Isso é incrível! Eu também queria ver a minha muttermãe, mas ela está muito, muito longe.”

“Ah, você sabe por que eu não posso pegar um trem para ver a minha mutter? Faz dois anos que ela viajou para muito longe por causa do trabalho, foi isso? E o lugar onde ela vive é ainda mais distante que o Japão, eu acho?”

“Por isso, eu me sinto solitária só com o meu vaterpai. Então estou economizando todos os dias para sair em uma aventura em busca da minha mutter. Isso não é incrível?”

“Quero dizer, a pesar do meu pai ter me dito para ser uma boa garota e não causar problema para a minha mãe, ele parece querer ver ela muito mais do que eu. Adultos são mesmo um saco, não acha?”

“Moça, quando conseguir um namorado, você deve ficar o tempo todo com ele. Quando vocês se dão bem mas moram longe, a conta do telefone começa a ficar muito cara, assim como a nossa.”

“Hã? Eu não acabei de falar isso?”

Kouhai: “Sim… umas sete vezes.”

Meus ouvidos já estavam começando a ficar cansados. Essa garota chamada Anna parece reagir às minhas respostas de uma forma fofa, inclinando a cabeça para o lado.

Ela parece como uma fada saída de um livro ilustrado infantil. Eu sei que ela é extremamente adorável, mas ainda assim…

Anna: “Fuun… bem, tanto faz! De qualquer forma, eu estou indo ver a minha mutter agora. Ela é muito legal e gentil, sabia? É uma mulher muito energética.”

“E então, meu vater costumava ser um inútil, mas depois que ele encontrou a minha mutter, ele começou a fazer tudo por ela desesperadamente e──”

Kouhai: “Ha, haha… ha…”

Exatamente isso. Ela gosta mesmo de falar.

Ela fala sem interrupções, como uma metralhadora, contando tudo sobre a sua família e suas aventuras atrás de sua mãe…o que diabos eu fiz para merecer isso?

Bem, eu entendo que é minha culpa. Ela acabou sentando do meu lado no trem, e eu acabei dando um doce para ela.

Eu não sabia se ela realmente gostava de doces japoneses, mas por alguma razão, depois disso, tudo o que eu ouvi foram as histórias dela. Ela começou falando sobre a família e como ama os seus pais.

Por mais que eu queria me livrar dela, a sua expressão de felicidade me impede de fazer isso… Sim, tudo o que eu posso fazer é me culpar por causa disso.

Kouhai: “Uu, eu sou uma idiota. Eu devia saber que não deveria ficar pegando cachorrinhos na rua só porque eles são fofinhos…”

Apesar de estar bem apegada a mim, a Anna-chan não escuta minhas reclamações. Ah, ela emite uma aura tão pura que faz as pessoas querem fazer carinho e abraçá-la. Está sendo bem difícil para mim aguentar isso.

Eu caminhei pela plataforma como se fosse uma árvore com um coala dependurado…se a senpai me visse assim, ela certamente começaria a rir da minha cara.

E é claro, caminhar assim não é nada fácil.

Kouhai: “──wakyaa”

????: “Ei──O que foi? Caminhe direito, droga.”

Eu me desequilibrei e acabei esbarrando por um instante com um vagabundo… É mesmo um problema colidir com esse tipo de gente.

Sua aparência selvagem e vulgar fez com que um pressentimento corressem pela minha espinha como um raio. Senti quase como se eu estivesse temendo pela minha castidade…

Kouhai: “…………Uuwa”

Anna: “…………Uuhe”

Como eu poderia descrever esse sentimento no meu peito? Ele parece ser daquelas caras que buscam por confusão apenas por hobby e eu odeio…odeio?

Vagabundo: “Você não sabe o que é cortesia, desgraçada…tá querendo briga? Por mim tudo bem.”

Então, ele abriu a boca falando da forma como se espera de um delinquente. Bem, ele é basicamente um vagabundo. Aparentemente esse tipo de homem ainda parece ser comum no mundo todo.

Apesar de ser homem, a sua pele era completamente pálida. Eu não sei explicar, mas isso me deixou muito incomodada.

Eu e a Anna-chan nos olhamos discretamente, como se nossas mentes tivessem se tornado uma, e eu concordei levemente antes de olhar para o homem novamente.

Kouhai: “Certo, certo, eu peço desculpas. Mas… uma briga? Mesmo? Que coisa a se dizer para uma garota que vou nunca encontrou antes… francamente.”

Anna: “Não tem o que fazer, moça. Só de olhar para essa figura esguia você já sabe que ele não é nada popular. Ele não é nada cortês e não sabe como tratar uma dama.”

Kouhai: “Isso mesmo, Anna-chan. Nenhum homem de verdade agiria assim na frente de duas doces e puras garotas, não acha?”

Anna: “Não é?”

Vagabundo: “Hãã? vocês são idiotas? Vão se olhar no espelho! Que tipo de pura e doce garota falaria isso de alguém que acabou de encontrar. Vocês não passam de um macaco amarelo e seu fantoche.”

“Para começar, vocês dizem ser mulheres com corpos pobres como esses? Eu não consigo ver nada nessas tábuas que vocês possam chamar de feminino, então acabei me confundindo, foi mal.”

Kouhai: “Ho, hoohou…”

Esse desgraçado falou mesmo. Quem se importa com aqueles lipomas? Talvez eu devesse levar ele para conhecer a senpai, que é ainda menos encorpada que eu.

Ela é composta basicamente de músculos. A capacidade respiratória dela também é incrível!

Kouhai: “Sinto lhe dizer, mas o meu namorado é muito melhor que você! Eu venci na loteria do amor! Ele não é uma pessoa completamente solitária e isolada como você!”

Anna: “Oooh, incrível, moça! …Mas os da minha mutter são muito maiores, e ainda estou na puberdade, então talvez crescem ainda mais!”

Kouhai: “O quê?”

Oh, Jesus. Deus está morto. Ela me traiu com um sorriso desses na cara. Droga!

Ela parece ser tão graciosa e ainda está destinada a ter um belo corpo… Que tipo de super arma biológica ela é? Estou começando a me sentir ofendida por causa desse sorriso inocente dela.

Além disso, essa cara está rindo de mim. Mas que erro terrível. Eu deveria nocauteá-lo e mandá-lo de volta para casa para ficar nos peitos da mamãe.

Logo quando eu pensei que──

????: “──Irmão, já está quase na hora de irmos.”

“Por favor, pare de causar confusão na frente dos outros. Pare com as brincadeiras e vamos ir logo.”

Vagabundo: “Aah? …Tch, sério? Já está na hora?”

Kouhai: “Ha? Hã? Irmão?”

……Eu sinto que acabei de ver uma reação impossível.

Uma linda e jovem garota estava acenando para ele… e ela parecia ser uma garota da alta sociedade. Você não está dizendo que esse cara na nossa frente é na verdade de uma família rica? Olhando as suas roupas com mais atenção, eu consigo notar que elas são todas de grandes marcas prestigiadas.

E ainda por cima, o que é isso? Ele não tem mesmo vergonha. Exalando uma aura de “irmão mais velho” quando está claramente sendo arrastado pela irmã.

Bem, eu sinto como se o mundo ao meu redor estivesse entrando em colapso. Francamente, isso é ainda mais desgostante do que poderia se colocar em palavras.

Vagabundo: “Até mais. Eu vou esquecer aquela baboseira que você disse. Na próxima, trate de andar olhando para frente. Você não é um cachorro louco, é?”

“Se continuar mordendo as pessoas sem motivo, um dia vai acabar se dando mal e sendo retalhada.”

Kouhai: “…………”

Então, depois de nos deixar com duras palavras, adequadas de sua estatura, o pálido vagabundo foi embora.

Observando ele segurar a mão da irmãzinha enquanto era arrastado, eu gentilmente esfreguei meu corpo para tentar pôr fim àquele arrepio. Ele era um cara que eu provavelmente não conseguiria lidar se fosse meu inimigo.

Anna: “Uun…Um cara rico daqueles, como uma irmãzinha, agindo como um vagabundo. Ele está mesmo além da salvação, não está?”

Francamente, eu preciso concordar.

Kouhai: “Bem, esse tipo de reviravolta acontece.”

Quando se tem encontros desagradáveis, mais encontros agradáveis estão por vir.

Senpai: “Que bom que chegou. Pode ser algo banal, mas você fez um bom trabalho chegando até aqui.”

Assim que deixamos a plataforma e saímos de estação, uma mulher alta estava esperando por mim. Só de ver ela eu comecei a sorrir.

????: “Hmm, então essa é a sua “kouhai”. Você não estava mesmo brincando quando disse que ela era o seu oposto.”

Além disso, parecia que ela estava me esperando acompanhada de uma garota que eu não conhecia.

Esse fato fez com que eu me movesse lentamente, afinal…

Kouhai: “Senpai, meus parabéns! Você finalmente fez outra amiga além de mim!”

Senpai: “Cala boca, sua garota imbecil!”

Kouhai: “Fugyaa!”

Nós finalmente nos encontramos depois de tanto tempo e ela já me bateu. Seu punho veio em linha reta na direção do topo da minha cabeça, fazendo meu cérebro sacudir de uma maneira familiar e agradável.

????: “Ora, ora, que senpai mais terrível. Você não deveria demonstrar mais amor pela sua kouhai ao encontrá-la depois de tanto tempo?”

????: “Vamos, a cultura da sua gentil e amável terra natal… Como era mesmo…? O Moe diz que você deveria dar um caloroso abraço nela, não acha?”

Senpai: “Não me importo. E para de trazer à tona palavras com uma superficial história por trás. Eu me recuso a reconhecer culturas que não tenham ao menos um século. Se fosse kabuki ou nogaku eu ainda aceitaria.”

“Além disso, eu não preciso me segurar com essa idiota. Seja por cartas ou telefonemas, tudo que ela sabe falar é sobre homens. Dessa forma, seria até bom se a cabeça dela passasse por algum tratamento de tempos em tempos.”

????: “Ah, entendo. Então você está irritada e com ciúmes porque a sua kouhai está deixando você para trás?”

Senpai: “Entendo, parece que também tem alguns parafusos frouxos na sua cabeça. Não precisa ser tímida, venha até aqui que eu vou consertar para você.”

????: “Eu mesma posso fazer isso, não se preocupe. …Francamente, é isso que os japoneses chamam de “tsudere”?”

“Embora seja bom você mostrar logo o seu lado “dere”. O que você acha de fazer isso agora?”

Kouhai: “Ah, você não vai conseguir isso em um ano. Eu estou tentando fazer isso desde o ensino médio e ainda sou uma cachorrinha para ela.”

????: “Ahaha, que pena! Parece que ainda vai ter muito trabalho pela frente.”

Kouhai: “Realmente.”

Senpai: “Hoh… Vocês duas parecem estar se divertindo. Estou feliz que estão se dando bem logo depois de se conheceram. Isso me faz sentir que valeu a pena trazer ela junto. Está mesmo sendo um prazer.”

“Deixem eu me juntar também. Vamos conversar muito para podermos nos conhecer melhor, que tal?”

Os olhos da senpai estavam completamente e terrivelmente assustadores enquanto ela dizia isso.

Apesar de quem, bem… aquela garota que estava com ela não parecia ter se perturbado com isso. Não posso deixar de admirar a habilidade dela de manter sua compostura perante ao olhar amedrontador da senpai.

????: “Bem, deixando isso de lado…”

“É um pouco tarde mas eu gostaria de me apresentar. É um prazer, kouhai-san. Meu nome é Anna, estudante da Universidade de Artes de Berlim. Eu serei a sua senpai. Diferente de você, eu estou no departamento vocal.”

“A propósito, eu pulei alguns anos, então eu sou mais nova que você, mas espero que não se incomode com isso. É um prazer.”

Kouhai: “Sim! Eu digo o mesmos! É um prazer conhecê-la!”

Só demos as mãos e sorrimos. Apesar de que “Anna” “Anna”… parece que eu tenho uma estranha ligação com esse nome, que sempre pertence a garotas com lindos sorrisos. Eu deveria chamar ela de “Anna-san vermelha” por enquanto.

Anna-san: “Mas…”

Eu dei um pequeno olhar de dúvida para a senpai. Eu não consigo entender como uma garota tão fofa como ele está foi conhecer uma pessoa com ela.

Bem, de onde ela veio, ela era como uma amazona delinquente que andava com os pés de fora, e também era extremamente popular, e ficava se gabando entre as garotas que a cercavam, mas…

Senpai: “Você parece estar pensando em algo inapropriado, então vou apenas dizer que ela é uma estudante transferida da Rússia. A situação dela é similar a nossa.”

Anna-san: “Sim, por isso nós temos um certo nível de… afinidade? Algumas coisas aconteceram e acabamos nos tornando próximas.”

Kouhai: “Ah, então vocês compartilham um laço de homesick. Eu não sabia que você também era uma pessoa emocional, senpai… que inesperado.”

Ela sempre foi do tipo──Vou queimar você! Fuhahahahhaha! Enquanto ria.

Senpai: “Eu sabia, parece que vou ter que sentar e ter outra longa conversa com você… Mas isso vai ter que esperar, temos outros coisas para fazer.”

Anna-san: “Sim, outras coisas…”

As duas apontaram ao mesmo tempo para trás de mim…

Senpai: “Ei, kouhai. Se importaria de explicar o que diabos é essa bola de pelos branca atrás de você?”

As palavras dela me fizeram lembrar que eu havia esquecido de alguém.

Eu puxei a garota que estava atrás de mim, deixando minhas costas mais expostas ao frio do começo do ano. Suportando o frio, eu a agarrei e a entreguei de presente.

Kouhai: “Certo… Aqui! É uma cachorrinha de presente! Aceite, por favor!”

“Vamos, Anna-chan branca. Appel! Appel!”

Anna-chan: “Kun, auau. Digníssima moça, eu vou ser uma boa garota se você me abraçar.”

Uma garotinha com um radiante sorriso olhava para ela ── que explosivo!

Eu venci! Se existe uma pessoa capaz de resistir a tal perfeita sincronia de olhares e boas maneiras, ela certamente é uma pessoa de sangue-frio e sem coração.

Senpai: “──Que irritante. Leve isso de volta para onde você encontrou.”

Kouhai: “Eu sabia! Você não tem mesmo coração! Você é mesmo um solado de aço, dá medula até os ossos!”

Senpai: “É mesmo lamentável saber que minha kouhai sujou suas mãos sequestrando uma garota. Que deplorável. Vai chegar o dia em que eu terei que colocar você atrás das grades…”

“Se pretende se render, faça de uma vez. Se isso é apenas um desejo que você não consegue controlar, uma sentença de suspensão deve ser o bastante por ora.”

Kouhai: “Hã? Mentira? O que é essa reviravolta de eventos? Por que de repente eu virei uma criminosa?!”

Senpai: “Exatamente porque você é uma.”

Bem, parece que essa é a imagem que ela tem de mim. Eu ficaria feliz que ela pudesse acreditar um pouco mais na minha humanidade.

Senpai: “Não se preocupe, eu vou acompanhá-la e bem… explicar tudo aos seus pais.”

Kouhai: “Eu já disse, pare de me olhar com esse olhar de pena! Foi só uma piada mal compreendida da sua kouhai! Ei, por favor!”

A Anna-chan branca não conseguiu se segurar e ficou abraçando a Anna-san vermelha. Logo quando eu precisava dela para provar minha inocência, eu acabo ficando nesse tipo de situação. Ela é não é do tipo que brinca quando fala que vai levar alguém para a polícia.

Anna-san: “……Hã? Espera?”

Anna-chan: “Ei,ei, moça pequenina. Aquelas duas parece estar com problemas. Parece que eu fui sequestrada. Eu não fazia ideia.”

Anna-san: “É-É mesmo… Mas eu ficaria feliz se você se afastasse um pouco.”

“Meio que eu estou me sentindo um pouco estranha e não consigo me acalmar. Eu sei bem o motivo, mas é por causa de memórias que eu não consigo me livrar que…”

Anna-chan: “Hee…fufu, que interessante! Wafun, *lambe**lambe*.”

Anna-san: “──Wahiii, nãonãonão! Não me prove, você é branca demais,! S-S-Socorro, vocês duas!”

Ora, mas que coisa.

Kouhai: “Se transformou em algo bem desagradável, não?”

Senpai: “De fato. Muito mais agradável do que interrogar você sobre seus crimes.”

Isso é algo estranho de se dizer enquanto olha para uma amiga em pânico. Aparentemente a senpai se tornou mais sádica nesse tempo em que ficamos separadas.

A Anna-san vermelha já estava em lágrimas, implorando por ajuda enquanto era lambida. Embora ela parecesse fofa, não parecia que ela estava aproveitando a situação, então eu puxei a Anna-chan branca pelo pescoço, que julgando pela sua expressão, parecia estar se divertindo, e a joguei para trás.

Do outro lado, sua amiga de mesmo nome parecia digna de pena, e instantaneamente foi se esconder atrás da senpai, cuidando a sua volta enquanto resmungava com seu nariz escorrendo.

Anna-san: “Uu, qualquer coisa menos branco… Eles se escondem na nevasca, me cercando por todas as direções e me lambem para ver se eu sou gostosa…”

Senpai: “Ah, é mesmo, os lobos da Sibéria costumam ser brancos, não?”

Kouhai: “Então esse evento a fez recordar o trauma da infância? Que horrível.”

Senpai: “E de quem é a culpa? De quem…”

Eu disse a Anna-chan branca como acidentes infelizes são mesmo uma coisa terrível enquanto dava um peteleco na sua testa. Isso foi minha culpa? Não, não, até parece…

Sendo a pessoa considerável que a senpai é, ela não tentou espantar a Anna-san vermelha. Ela meramente suspirou, deu de ombros e riu da ironia da situação.

Senpai: “Deixando de lado essa cachorrinha que está grudada em você… O que vamos fazer agora?”

“Se quer ir direto para a universidade, eu vou te mostrar ao local. Afinal, esse foi o motivo pelo qual eu vim até aqui buscar você.”

Kouhai: “Bem, é claro. Se eu fizer algo de errado, isso certamente afetaria a dignidade de todos os estudantes japoneses que estão aqui.”

Senpai: “É bom que você entenda isso. Tente não me envergonhar.”

“Jawohl.”

A forma como ela falou com um sorriso no rosto, que combina perfeitamente com ela, também é extremamente legal.

Como eu mandei todas as minhas malas direto para a universidade, eu não estava carregando nada pesado. Essa também é minha primeira vez no exterior, então tem um monte de coisas que eu gostaria de ver.

Por exemplo, sim, ir visitar a universidade não é uma má ideia──

Kouhai: “Mas antes disso, eu gostaria de ver essa cidade.”

“Na verdade, eu realmente estou ansiosa para ver como Berlim se parece e o que mais eu posso encontrar aqui.”

Eu não sei o motivo, mas meu coração está dançando de empolgação, como se eu fosse uma criança partindo em uma aventura.

Isso me lembra de quando a cidade vizinha parecia uma terra completamente desconhecida, e a curiosidade sem fim por aquelas paisagens desconhecidas me deixava completamente empolgada.

Esse sentimento tem estado comigo desde o dia em que eu decidi me transferir para Berlim. Por algum motivo, eu quero saber tanto sobre essa cidade que mal consigo me conter de já sair correndo na frente para ver tudo.

O tempo todo acompanhada por esse brilho e a esperança de me surpreender com o que eu encontrar.

Senpai: “Você também…?”

Apesar do olhar aparente de desaprovação dela por um momento, ele concordou com a minha proposta. Ela certamente nutriu desses mesmo sentimentos em seu primeiro ano aqui.

Senpai: “Se é o que você quer, você tem a melhor pessoa bem aqui.”

“Ela também me acompanhou. Apensar da aparência, ela é muito boa nesse tipo de coisa. De fato, uma das poucas coisas a ganhar minha aprovação.”

Anna-san: “O que é isso? Que rude! Minha gentil e adorável voz apenas amplifica as alegrias do turismo. Quem será que tinha ficado completamente comovida ano passado com as minhas apresentações?”

“Fique à vontade para me chamar de “Guia Turístico Anna-san”. Podem deixar comigo!”

Anna-chan: “Uwaa, que legal! Eu também posso ir junto?”

Anna-san:“U……b-bem, sim. Eu não me importo.”

Ela falou com confiança por um momento, mostrando um sorriso impessoal logo depois, e acabou dando uma pequena vacilada. Vendo a expressão vibrante de alegria da Anna-san vermelha…

…eu tive certeza de que havia sido muita sorte eu ter conhecido ela.

Kouhai: “Certo, por favor, estamos aos seus cuidados.”

De fato, eu me senti confiante, e esse sentimento fez com que fosse fácil para mim aceitar seu gesto de gentileza.

E então, nosso tour por Berlim começou.

Saindo da estação, nós começamos a conhecer a paisagem urbana, acompanhadas da suave da voz da Anna-san vermelha, que era como uma melodia. Sua personalidade e humor charmoso fizeram eu me sentir como se estivesse sendo guiada por uma fada.

Ela certamente tem uma talento natural para contar histórias e fazer uso de todo o seu conhecimento.

A contrário daqueles que se dizem saber tudo e terem alcançado a iluminação, as suas palavras eram muito fáceis de serem entendidas e realmente divertidas de serem ouvidas. Certamente havia uma vivida energia na forma como ela falava. Só de ouvir, já fazia com que o meu coração dançasse de empolgação.

Enquanto eu e a Anna-chan branca estávamos completamente animadas, a senpai ouvia atenciosamente cada palavra que a Anna-san vermelha dizia. No fim, cada uma de nós aproveitou o momento da sua maneira, gravando cada paisagem de Berlim em nossos corações.

Mesmo a mais simples paisagem do dia a dia parecia algo muito importante para mim.

Eu não fazia ideia do motivo…mas isso fez eu me sentir tão abençoada.

Nós caminhamos um pouco antes de pegarmos um ônibus para ir a um lugar muito conhecido.

Sim, todo o local que os turista deveriam visitar ao menos uma vez na vida quando forem a Berlim.

O Portão de Brandenburgo — símbolo de Berlim, assim como uma vez também foi fechado, separando um lado do outro.

Isso foi…

Anna-san: “10 de novembro de 1989… A Quedo do Muro de Berlim.”

“Foi um símbolo da divisão da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. O que restou serve para lembrar a todos os tipos de existência o que aconteceu, assim como a vontade coletiva das pessoas que eventualmente o superaram.”

As ruínas do Muro de Berlim.

O símbolo de derrota e separação do país…

…assim como uma prova de unificação e restauração.

Kouhai: “…………”

Só de olhar para ele, eu já me tornei incapaz de falar. Meu peito ficou pesado, como se eu estivesse engolido chumbo; minha respiração ficou labuta, e minha garganta secou.

Eu senti que meu coração começou a bater acelerado e meu peito gritava, me fazendo refletir…

Eu não sei como explicar tal compulsão, eu ainda estava com aquele cenário gravado profundamente em meu coração. Foi como se a minha alma tivesse se ascendido momentaneamente .

…como se estivesse ressoando como um trovão.

Anna-san: “Antes da destruição do muro, o governo da Alemanha Ocidental declarou que eles haviam diminuído as condições necessário para atravessá-lo. Porém, o anúncio fez com que parecesse que as pessoas tinham permissão para ir entre o lado Ocidental e o Oriental quando desejassem, o que fez com que o muro fosse derrubado em um dia.”

“O muro que separava metade do pais do outro não teve chances contra o acumulado ressentimento das pessoas de ambos os lados, e após um único erro trivial, a insatisfação se acumulou ele acabou se partindo.”

“O Muro de Berlim foi um impregnável símbolo de estagnação que ganhou forma durante a Guerra Fria. Quando ele desmoronou, uma noção de igualdade, declarada por ambos os lados que eram Alemães se espalhou pela população, como um incêndio fora de controle.”

“É claro, essa unificação da Alemanha não resolveu todos os problemas. A disparidade entre o lado ocidental e o oriental era algo flagrante, e a recessão que seguiu de várias décadas puniu o país com seus efeitos.”

“Diferente de contos de fadas com heróis épicos, a glória nem sempre leva ao mérito. Vitórias frequentemente levam a outras batalhas. Problemas surgem a cada passo do caminho, e a estrada que leva a suas soluções é pavimentada com trabalho duro.”

Anna-san: “Mas, mesmo assim…”

Senpai: “…o fato de que o que sobrou aqui permanece como centro da história não mudou.”

“Ao menos, a Alemanha unificada pagou por todos os reparos da guerra e as pessoas foram capazes de reconstruir seu país sem hesitar… E esse é uma grande lápide que prova isso.”

Uma lápide ── uma descrição apropriada. Ela serve tanto como uma cicatriz de todas as feridas recebidas durante o período pós guerras, assim como um local onde a dor pode descansar.

A guerra é a fonte de um sofrimento interminável para todos que a viveram, e também a origem de muitos pesos que as crianças carregam em seus ombros. O tempo mudou, e quase ninguém que possui culpa está vivo, ainda assim, o muro permanece como uma prova sólida de um período definido pelo caos e a loucura.

Por isso, para superar o que realmente foi um grande ato, mesmo o Portão de Brandemburgo, um símbolo da cultura que existe desde aqueles dias, recuperou o seu brilho.

O muro já não faz mais as pessoas se lembrarem da perda de seus antepassados nem preenchem seus futuros com medo. Elas não vêm para buscar o cego brilho dos campos de batalha, mas uma luz muito mais gentil — uma gentileza que as guia em frente.

Elas tiveram o bastante da derrota e desgraça — as pessoas querem que seus sonhos e esperanças voem muito mais além, livres da obstrução do muro.

O que foi um mero erro na redação enviada, acabou por causar a quedo do muro. A luz passou a cair incessantemente, e o muro se tornou um antigo túmulo para enfatizar isso.

Eu me encontrei comovida por essa perspectiva positiva que poderia chegar ao coração de qualquer pessoa, independente da era ou nacionalidade.

Acima de tudo, eu amei isso. Ser envolvida pela esperança das pessoas que viveram naquela época me encheu com um desejo de tentar fazer o meu melhor.

Kouhai: “Eu sinto que poderia me tornar uma boa amiga da primeira pessoa que bateu nesse muro. Ela provavelmente era do tipo que se tornaria uma luz para que todos os outros seguissem seus passos e a ajudassem a destruí-lo.”

“Eu sinto que se estivesse nessa época, eu seria a primeira e pegar uma picareta e começar a derrubar esse muro.”

Senpai: “Lá vai você de novo… orgulhosa dessas suas loucuras.”

Afinal, ocasionalmente eu tenho a vontade de sair e fazer algum trabalho físico.

Se aqueles que assistiram eram tolos assim como os que dançavam, seria melhor se todos se juntassem e se divertissem.

Anna-chan: “Mas é mesmo ótimo que não tenha mais o muro! Olhe para todas essas pessoas que estão se juntando para ver.”

Anna-san: “Isso porque agora é um popular ponto turístico. Eu duvido que os cidadãos de Berlim daquela época iriam imaginar que a destruição levaria isto a se transformar eu um ativo cultural.”

“Era a estrutura que dividia o país em dois, afinal. Quem iria pensar que isso acabaria se tornando uma fonte de vivacidade para Berlim.”

No entanto, não é algo para se ficar feliz. O que eles perderam durante a guerra foi muito mais do que se comparado a um ou dois ativos culturais.

Apenas aqueles não relacionados com esses eventos poderiam olhar de forma tão otimista para essa cultura e valores enraizada nesses monumentos antes de pensar nas vidas que foram perdidas.

Ainda assim, não há motivos para as pessoas não se levantarem a partir daqui.

Ao menos elas podem encontrar esperança no fato de que eles superaram isso. As pessoas certamente devem se orgulhar disso. Caso contrário, elas não teriam nada para deixar para as futuras gerações…

????: “Sim, de fato. Incontáveis designers usaram as partes ainda de pé do muro como sua tela.”

“Já vai fazer vinte anos desde a destruição do muro, quando eles decidiram pintar sobre os grafites que o cobriam naquela época. Seus esforços o transformaram em uma esplêndida, humorística e linda paisagem.”

“É chamada de East Side Gallery. Se vocês estiverem livres, não gostariam de ir vê-la conosco?”

……Essas palavras pertencia a um homem que eu não conhecia, acompanhado de uma mulher e uma criança, como se fosse um casal.

Kouhai: “Bem…”

Com uma aparência esguia e aparentemente não muito saudável, o homem se referiu a nós, nos surpreendendo. Parece que a Anna-san vermelha também não o conhecida.

Também é a primeira vez que eu vejo esse homem...

Mulher: “Poxa, querido… É claro que elas ficariam perplexas se um homem desconhecido e completamente estranho começasse a falar de repente.”

“Eu peço desculpas. Vocês parecem estar se divertindo tanto que ele conseguiu se conter em dar mais explicações.”

Homem: “Haha, é mesmo… Eu peço desculpas por falar algo desnecessário.”

“Parece que homens mais velhos tendem a querer ajudar os jovens mais que o necessário. Embora eu tenha pensado que ainda estava no auge da idade. Eu deveria me educar para aprender a me conter.”

Mulher: “Francamente. Finalmente estamos em uma viagem em família, então tente não agir como se ainda estivesse trabalhando.”

Anna-chan: “Trabalhando? Sobre aquilo que estava falando antes?”

Mulher: “Sim. Ele é um professor.”

Homem: “Até pouco tempo atrás eu estava falando com meus estudantes sobre onde eles poderiam ir depois da escola. E, bem… eu acabei me deparando com jovens empolgadas e acabei cedendo ao impulso… Ah, mas eu posso afirmar que eu fiz isso sem nenhuma outra intenção.”

“Eu vivo para me devotar à minha esposa.”

A forma como ele timidamente elogiou sua parceira deixou clara a confiança mútua entre eles, nutrida durante muitos anos.

Essa pura fragrância nos deixou sem saber como reagirmos……

Senpai: “Entendo, é bom conhecer pessoas que encontraram a sua felicidade.”

Mulher: “Sim, muito obrigado, senhorita.”

Sorrindo, ela se aproximou de seu marido.

Sim, mesmo sendo uma espectadora, eu pude notar que a relação deles tinha um bom senso de distância. Eu não tinha dúvidas de que eram um casal muito feliz.

Observá-los fez com que eu quisesse ser assim algum dia.

Anna-san: “Que ótimo. Que romântico.”

Kouhai: “É mesmo! É tão admirável…”

Filho: “Muu……”

O filho deles estava mal-humorado de estar ali parado, aparentando estar entediado e insatisfeito porque nós estávamos tomando a atenção dos pais dele.

Homem: “Eu quase ia esquecendo. Eu sou um professor formado em uma universidade da Califórnia.”

“Essa é minha esposa e meu filho.”

Mulher: “É um prazer conhecer vocês.”

Filho: “…………”

Mulher: “Vamos, cumprimente elas também. Você consegue fazer isso, certo?”

Filho: “……Olá.”

Pareceu que ele ia se curvar para nós, mas ao invés disso ele foi se esconder atrás de sua mãe.

Julgando pelo sorriso envergonhado de seus pais, parece que ele dá bastante trabalho para os dois. Provavelmente é um pouco tímido, o que é natural para a sua idade.

Homem: “Eu peço desculpas. Ele acaba ficando com um pouco de medo de pessoas que não conhece.”

Kouhai: “Não, não, não se preocupe. Esse tipo de coisa é normal na puberdade.”

“Além disso, eu sou a única aqui com algum traço de feminilidade. Se você pensar nessas mulheres com corações de vidro que poderiam se despedaçar ao primeiro sinal de que um garoto não gostou delas, eu temo em dizer que você está cometendo um engano.”

“Não, dizer que a falta de feminilidade delas seria exposta assim. Elas são frias como um tanque de aço com o poder de fogo de cápsulas de 8.8cm.”

Senpai: “Ei, Anna, me consiga rápido um charuto e um isqueiro. Esse cachorro claramente precisa ser disciplinado.”

Anna-san: “Sim, pode deixar comigo… Parece que essa kouhai descarada e desesperada é a única que precisa dos nossos gentis e graciosos ensinamentos.”

Kouhai: “A, ai, ai-isso dói! Está mesmo doendo! V-Vou quebrar! Eu vou quebrar!”

Anna-chan: “Ahahaha, moça, você não aprende mesmo.”

Eu ficaria realmente feliz se a Anna-chan branca me ajudasse ao invés de ficar assistindo… Com meu ombro sendo apertado pela senpai dessa forma, eu pude ouvir meus ossos começando a se quebrar!

Enquanto isso, o casal meramente observava minha resistência perante à morte com sorrisos no rostos e olhares carinhosos. Por favor, não fiquem me olhando morrer assim. Por favor, me ajudem!

Homem: “Isso é mesmo ótimo, o brilho da juventude.”

Mulher: “Ver isso também me faz querer lecionar novamente.”

Kouhai: “Ei, sério, não me ignore! De fato, mesmo que ela só esteja brincando, é como se eu estivesse sendo atacada por um gorila!”

Senpai: “Oh, você disse mesmo… Quem? Onde? Que gorila?!”

Kouhai: “A sua força é a de um!”

Filho: “Pai, mãe.”

E, ignorando completamente meus gritos, o filho deles suspirou.

Filho: “……Vamos deixar essas pessoas e ir na frente.”

“Eu quero ver logo a catedral…”

Kouhai: “Ca-Catedral, o que é isso?”

Tendo escapado das garras de ferro da senpai, eu o questionei sobre isso, mas ele permaneceu em silêncio.

Com os pais apenas sorrindo de forma envergonhada, a Anna-chan branca, sem medo, foi em direção ao garoto.

Anna-chan: “──Ei, você, tem um minuto?”

“Você está falando sobre a Catedral de Berlim, certo? A minha mutter não trabalha muito longe dela!”

“Vocês também estão indo? Uwaa, que coincidência incrível! Ei, onde fica? Me deixem ir junto! Me deixem ir junto!”

Filho: “………………”

Mesmo isso podendo ser facilmente interpretado como algo inconsiderável e egoísta, a audácia de uma cabeça de vento pode ser bem conveniente.

Mulher: “Vamos, você não deve ignorar ela.”

“Eu não estou sempre dizendo que você precisa ser gentil com as garotas?”

Anna-chan: “Viu? Então me leve junto com você.”

Filho: “…………”

“Não.”

Anna-san: “Uwaa…”

Kouhai: “Ele parece ser inaproximável.”

Senpai: “Eu estou impressionada que chegou até aqui.”

Diferente de nós, que estranhamente admirávamos ele, em contraste, a Anna-chan branca já estava se irritando.

Anna-chan: “Eeee, por quê? Não diga coisas assim! Disseram em um programa de TV como você pode se tornar um adulto malvado se for sempre mal-humorado.”

Filho: “Isso não faz diferença. Eu só gosto de paz e sossego.”

Ao dizer isso, ele virou seu rosto.

Apesar de ser pequeno, ele já emanava uma aura intelectual. Seus pais são professores, então talvez ele tenha sido criado na companhia de enciclopédias.

Embora, apesar disso──

Senpai: “Fumu. Catedral de Berlim….”

Esse nome fez com que misteriosas ondulações atravessassem meu coração.

Mesmo sendo estranho, foi como uma sensação de nostalgia.

Anna-san: “Naturalmente, eu pretendia levá-las até lá também. É algo no qual vale a pena se visitar.”

“E também, isso é──”

A Anna-san vermelha baixou o tom de voz, quase como um sussurro.

Quase como momentaneamente ela tivesse tentando engolir algosua alma que tentava sair daquele corporeceptáculo.

Como um sentimento nostálgico de dias distantes que se foram; lembranças de um momento perdidas em um passado distante.

Anna-san: “É um mistério em como ela é um lugar estranhamente familiar. Eu tenho certeza de que todos você devem se sentir da mesma forma.”

Kouhai: “Entendo…”

Eu tenho certeza que consigo entender isso perfeitamente.

Apesar de parecer estoico, eu sinto que a Senpai compartilha desse mesmo sentimento. De fato, eu acredito que todos aqui podem sentir algo na qual eles têm dificuldade de expressar com palavras.

Eu não sei explicar, mas tenho certeza disso…

Kouhai: “Eu meio que sinto uma afinidade com esse lugar.”

Meu pequeno sussurro acabou se perdendo ao vento sem que ninguém ouvisse.

Essa pequena afinidade me disse que eu deveria vir aqui. Essa minha intuição intuição, de forma surpreendente agradável, chegou até meu coração.

Kouhai: “Bem…”

Sem duvidar, eu aceitei no mesmo momento. Eu quero ir até lá junto com todos que estão aqui para compartilharmos da mesma visão.

Há um significado nessa ação, e ninguém pode me convencer do contrário. Eu então me virei para eles com um sorriso no rosto.

Kouhai: “Eu sinto que isso foi o destino. Então por que não vamos todos juntos até a Catedral?”

Ao invés de respostas verbais, todos responderam com sorrisos de aprovação. Eu concordei e assim partimos juntos.

Ocasionalmente, ele considerava tal fato.

Mais especificamente, ele pensava ser uma falha como crente.

Ele não podia olhar para os Céus…

Suas mãos nunca se juntariam para uma oração…

…ele pensou nunca ser capaz de se ajoelhar e baixar a cabeça perante seu Lorde.

Com uma mente surpreendentemente calma, ele suspirou e percorreu com seus dedos seu rosárioCruz de brilho enfraquecido.
Resistindo a vontade de esmagá-lo, ele escondeu suas emoções, fazendo de seu elegante rosto uma forma de expressão indiferente antes de olhar a solene arquitetura da catedral.

……O homem se perguntava quando isso havia começado?

Seria esse o resultado de ter sido criado por pais devotos e piedosos, ou seria algo que tomou forma no momento em que ele nasceu?
Ou talvez algo ainda mais anterior, para aqueles sonhos transientes envoltos por fluidos amnióticos.
Ele não conseguia dizer. Não havia uma lógica para ser vista nisso. Havia uma óbvia e inexplicável anormalidade dentro de sua mente que sustentava isso.

Era a falta de fé ── não importava o quanto ele tentasse, ela não conseguiu fazer a si mesmo respeitar Deus.

Não, isso pode ser frágil demais para ser uma conclusão. Além da falta de respeito, isto pertencia mais a classificação de emoções que ele deveria sentir. O que ele pensava sobre a existência suprema residir no Céu era de algo francamente bizarro.
Uma tola noção que certamente incitava gargalhadas em meio ao seus pares, junto a uma admoestação de sua família.

Ele sentia uma forma de formalidade perante a existência que eles chamavam de “Deus”.

Por mais estranho que possa parecer, para ele, essa luz sem forma era menos do que uma suprema existência do valor de gratidão, e mais que um amigo.

Ainda assim, ele nunca poderia rezar de forma sincera. Mesmo tendo encontrado a felicidade derramada sobre toda a criação que ele admirava, e ainda assim, não significava que isso merecia a sua gratidão.
Isso explicava a sua falta de devoção.
Seus pensamentos perante Deus eram iguais aos daquelas pessoas que diziam aos seus amigos — “ótimo trabalho”, ” é realmente lindo”, “que adorável”, “muito bem feito”.

Evidentemente, ele leu a Bíblia sob a suposição de que ele estava no mesmo nível dos céus. Isto é claramente uma tola linha de pensamento que não possuía espaço na mente de alguém que andava pelo caminho do sacerdócio.

Tais sentimentos eram verdadeiramente perigosos. Se outros aprendessem sobre eles, certamente o repreenderiam por nutrir o pecado do orgulho. E ainda mais importante do que isso, era simplesmente difícil de conviver com ele.
A Religião era uma fantasia que significava garantir àqueles que na realidade um semblante de paz. O Lorde sem forma era ficcional, e se reverenciar perante ele era significava não mais do que uma forma indireta de controle e admoestando a si mesmo.
Qualquer um que não fosse fanático notaria isso claramente — que a religião é simplesmente uma idealização inventada pela própria conveniência do homem.

Deus existe como um símbolo personalizado de disciplina. E, de fato, é assim que deve ser. Nada mais nem nada menos do que isso.
Ninguém deseja verdadeiramente por um Criador supremo e onipotente que brinca com a humanidade a seu bel prazer — as pessoas querem um poder maior que ame e observe toda a criação; alguém para mostrar a elas um calor.

Uma divindade para garantir a elas ordem e orientação, que elas cravaram em um incerto e escuro futuro que elas não podem escapar.
Uma luz para iluminar a escuridão.

Se um mundo ideal de fato deve existir…
…seria onde as pessoas em meio à sociedade pudessem permanecer sem a orientação de Deus, enquanto se mantém conscientes para continuar a viver de forma honesta. Ainda assim, tal sonho não é mais do que um sonho vazio.

Deus deve existir no coração das pessoas e no sistema que criou.

Isto precisaria guiar, brilhar, e incessantemente derramar abundantemente a felicidade sobre a terra.

Padre: “Não importa que tipo de existência seja…”

Ele pode simpatizar com isto, sentir esse amor que transborda, e perceber a grandeza das emoções que o levaram a essa existência.

Padre: “Isso pode ser apropriado para o reinado dourado do ser supremo. O amor é, de fato, a supremacia. Eu quero abraçá-lo, mesmo que isso acabe por me despedaçar.”

O coração de uma divindade é infinito e também valoroso.
Os céus o garantiriam proteção, e mesmo quando, por diferenças religiosas, seus filhos destruíssem uns aos outros. Isto claramente também seria um produto do amor.

No entanto, isso não é mais do que uma hipótese — a forma de toda a disciplina em seu coração, para fazer de sua própria existência o que eles chamam de “Deus”.
Seus pensamentos o levaram a essa conclusão forma perfeitamente clara.
Ao invés de ferventemente declarar a existência de uma divindade, ele misturou realidade e crença para cria uma opinião plausível.

──Mesmo assim, ele ainda não era capaz de compreender uma coisa acerca de seus sentimentos por aquele luz divina. Não parece haver uma forma de descrever isto.

Essa amizade e familiaridade que ele sente perante Deus. O desejo de abraçar em direção ao ponto da destruição. O que poderia ser? Esse bizarro e paralisante sentimento que nem a religião nem a razão eram capazes de explicar?
Na hipótese dele, isso seria definido como um latente tipo de orgulho, não mais do que isso. Mas não era o suficiente para satisfazê-lo.
A dúvida o atormentou sem cessar. Nada do que ele pensassem o deixava mais próximo da resposta…

Padre: “Eu para sempre estarei perplexo com isso, até o momento em que eu pare de respirar.”

Ainda assim, ele se contentava com isto.

Padre: “Pode ser melhor que eu nunca chegue a esta resposta.”

E com isto, ele se virou e seguiu seu caminho silenciosamente.

Carl: “Sim, por isso você não percebeu. É uma resposta deveras simples. A LeiDeus é possuidora de um poder tão forte quanto o amor da Deusa, e é assim que tudo deve ser. Ah, é natural para você que não compreenda isso e não há motivos para saber. Considerando que eu quero evitar ter de explicar esse efeito particular, eu peço que continue a não compreendê-lo. É o melhor para todos — para você, para mim, e para todos os outros.”

“Eu assim continuarei a existir, por isso sua divindade deve permanecer a existir. Além disso, não há nada de errado em seu sentimento. Você é incapaz de olhá-lo de cima. Esta alma que você abriga está certamente no mesmos nível da nossa.”

E assim, aquele que observava o jovem homem preocupado, sorriu gentilmente.

Seu contorno era como o embaçamento do calor, se recusando a moldar-se em uma forma própria.
Uma peculiar anomalia de um começo, sua aparência era provecta e ao menos tempo primaveril — a sombra de um remoto mundo que uma vez carregou o nome do Mercúrio. Ele agora observava seu fragmento com uma palpável alegria.

Seu jurado amigo — uma vez também chamado de Besta Dourada — preocupando-se com problemas adequados ao homem mundano. A cena à sua frente preencheu a sombra com gratidão, estendendo seu sorriso.
Ele não poderia fazer nada além de sentir-se agradecido a seu amigo que falhava em lembrar sua verdadeira ânsia, não importando o quão próximo ele aparentava estar dela.

Carl: “Eu aprecio isso. Gracioso é a dignidade da derrota. Você é, de fato, maravilhoso.”

A Besta prometida a não retornar ao menos que recebesse uma prova do poder que inaugurou sua queda. O que significa que, enquanto as condições permanecessem, ele teria que aderir àquele modelo de mundo.

Era a dignidade mais requintada. Este final era querido para ele, e como tal, a Besta Dourada não lembraria de nada.
Sua consciência recusava-se a dar o passo final em direção à realização, assegurando que ele poderia viver sua vida como um homem mortal amado por Deus.

Sua subconsciência ignorava seu orgulho, distanciando a si mesmo da noção delem também, podendo muito bem ascender à divindade.

A Besta relacionava as palavras de uma pessoa que uma vez fora seu subordinado — ele quem não desejava que seu momento final manchado.
Cativado pelo momento que enviou sua alma para as brilhantes chamas, o homem do ouro veio para aprovar o reinado da Deusa.
Aquele deslumbrante conto de glória e laços infiltrava-se dentro dele de forma estreita, e com uma intensidade incomparável, permitindo-o ser envolto pelos braços da Deusa do Crepúsculo.

──Do princípio — ele amava a tudo e a todos.

Mesmo tendo isso como o prenúncio de sua própria destruição, seu amor permaneceu fervoroso. Aceitando o resultado que veio facilmente à Besta Dourada, por carregar a querida escolha daqueles que uma vez foram derrotados.

Carl: “Acima disso, um dia… em um distante futuro…”

Eles mais uma vez virão a se encontrar. Ele não tinha conhecimento das circunstâncias, mas seus caminhos certamente se cruzariam um dia.
Afinal, o ciclo da presciência já não existe mais.
Contanto que os céus deem as boas-vindas para todas as vidas sob sua abóbada celeste, mesmo a sombra exilada e a Besta receberiam a bênção da Deusa.

Carl: “Vamos juntos observar este mundo. Como agora estou, eu não almejo mais pela morte, nem mesmo desejo que você garanta ela a mim. Um fato que eu fervorosamente espero que deva permanecer imutável e inalterado pelo resto da eternidade…”

Naquele momento, antes que ele pudesse dar continuidade, as portas da catedral se abriram.
O elenco reunido por trás delas trouxe um sorriso aos lábios da sombra do Mercúrio.

Carl: “Eu sou grato a você por este ponderado preparativo, Marguerite. Permita-me mais uma vez dizer isto a você. Agora, novamente, eu me apaixonei profundamente por você.”

Esse que é o maior sentimento possível da presciência, e também a mais deleitável exibição do desconhecido.

Carl: “Os laços dessa Legião foram libertados de meu ciclo da presciência e mais uma vez se reuniram ── vamos nos deleitar com esse prazer desconhecido.Acta Est Fabula

E então──

…nós adentramos a catedral e imediatamente fomos cativados pela brilhante arquitetura e a vívida luz que vazava pelo vitral.

Kouhai: “Incrível…”

Aquilo que escapou dos meu lábios foi uma única palavra cliché, a mais honesta expressão de admiração que eu poderia dizer.

Era uma visão esplendorosa e clássica que parecia ter saído de uma pintura. A santidade atravessava o espaço exaurindo uma aura de bem-aventurança, fazendo eu me sentir como se estivesse sendo calorosamente envolvida.

Os remanescentes momentos de muito tempo atrás permaneciam aqui.

Instantes do passado — preces sinceras que deviam ter desaparecido — foram separados pelo fluxo do tempo, deixando para trás seus brilhos radiantes. Mesmo assim, eu ainda podia ouvir seus ecos reverberarem em minha alma.

Todos nós nos encontramos hipnotizados; fascinados por emoções que palavras não conseguiriam explicar, como se tivéssemos sido batizados por Deus, banhados por uma gentil luz.

Senpai: “Então? Berlim não é nada mal.”

Kouhai: “S-Sim. Eu estou muito feliz por ter vindo.”

Ser capaz de concordar com com tanta honestidade me deixou levemente envergonhada. Eu senti como se eu nunca tivesse me separado da Senpai.

Homem: “É magnífico… Eu adoraria trazer meus estudantes aqui também.”

Mulher: “Não esqueça da sua família, querido.”

Homem:“Eu sei, é claro.”

Esses três são mesmo uma família adorável. Os pais estavam tão próximos ao ponto de seus ombros se tocarem, enquanto seu filho, ao centro, olhava com atenção ao que estava à sua frente.

A Senpai observou a cena de soslaio, se comportando como uma criança mimada, enquanto a Anna-san vermelha encolheu os ombros. Ambas estavam visivelmente com inveja deles, e, enquanto era melhor se eu não tivesse notado, eles poderiam tentar esconder um pouco mais.

Repentinamente, eu senti algo puxando minha manga. Ao me virar, eu avistei a Anna-chan branca apontando para o fundo da catedral.

Anna-chan: “Ei, moça. Olha, aquilo..”

Kouhai: “Hã? O quê O quê?…Espera, uge!”

Irmã: “Não é maravilhoso, irmão? É como se Deus estivesse nos observando.”

Vagabundo: “……Será mesmo? Mesmo que me pergunte, eu não consigo me acalmar tendo alguém me observando o tempo inteiro.”

Lá está ele, o cara com complexo de irmã. E ele estava muito perto dela.

Não apenas isso, mas ele continuava com essa pose de irmão mais velho, claramente realizando todos os desejos dela. Qualquer pessoa além de sua irmã não notariam isso e pensariam que ele é um completo criminoso… Ei, policial!

Anna-chan: “É triste, mas… Parece que nem Deus pode curar essa incurável doença, moça.”

Kouhai: “Sim, especialmente quando se trata de doenças mentais.”

Evitando olhar para aquela desagradável visão, eu levemente sacudi minha cabeça

Kouhai: “────?”

Naquele momento…

…eu fiquei estranhamente fixada naqueles dois padres parados próximos ao vagabundo, com suas costas viradas para nós.

Um deles tinha uma bela e vibrante juba dourada, enquanto as costas do outro se associavam ao aço ou uma pedra.

O primeiro era uma amálgama de graça e beleza, enquanto o outro era nada mais do que uma presença heterogênea, inalterado e vigoroso. Apesar do ar contraditório entre eles, os dois pareciam acostumados àquela anormalidade — eles parecia do tipo na qual, com apenas um rápido olhar, seus rostos ficariam para sempre queimados na mente do observador.

Por algum motivo, eu senti dessa forma.

Minha mente começou a vagar e se ocupou com isso.

Eu me encontrei atraída por eles de uma forma estranha, como um peixe pego pelo anzol, Mas então…

Homem: “──Deus, é?”

Minha mente retornou à realidade com o impacto de uma simples palavra, junto a muitos pensamentos, abalando meu coração.

Como se ele não esperasse atrair atenção ao murmurar aquelas palavras, o homem momentaneamente se surpreendeu pelo fato de alguém ter olhado para ele. Colocando sua mão sob a bochecha, como se estivesse escolhendo as palavras, após um momento, ele voltou a falar.

Homem: “Ah, não… Essa é uma história de… sim, centenas de anos. No começo da Guerra, haviam rumores de um padre que podia ouvir a voz de Deus.”

“De acordo com os rumores, ele parecia adepto a encontrar relíquias cobertas por maldições, fanatismo e outros estranhos pensamentos. Eu concluí que essa é uma história bem questionável e duvidosa.”

“Pelo que posso supor, pelas definições modernas, sua habilidade era de psicometria ou telepatia. Ele era capaz de ver, ler e ouvir pensamentos de memórias e objetos.”

Anna-san: “Ehh… Isso parece meio assustador, professor. Eu não consigo imaginar alguém com um poder desses dormindo bem à noite.”

Homem: “Sim, é verdade. Seria uma situação similar a estar cercado por televisões e rádios que não pudessem ser desligados.”

“Bem, embora eu pudesse dizer que ele foi uma pessoa de sorte. Se ele tivesse nascido um ou dois séculos antes, certamente teria sido queimado em uma estaca.”

Bem, isso é verdade. As pessoas nunca lidaram bem com anormalidades. Nós ainda vivemos em uma era onde as pessoas lutam por raças e fronteiras, então o aparecimento de algum superpoder poderia apenas acrescentar mais combustível ao fogo.

Kouhai: “Então, por que trouxe isso à tona agora?”

Homem: “Não sei… por que será? Eu mesmo não sei dizer.”

“Eu suponho que eu possa ter dito isso porque essa solene casa de Deus me recordou do fato. Independente dessa história ser ficção ou invenção, eu me pergunto se Deus traria a salvação para ele.”

“E — se o desejo dele fosse atendido — significaria que ele seria salvo?”

Ele provavelmente não queria acreditar que permaneceria para sempre sem salvação. Honestamente, eu sinto o mesmo. Eu odeio histórias irracionais que permitem injustiça e infelicidade.

Finais felizes são sempre os melhores. Pessoas que pensam serem espertas porque incessantemente elogiam finais tristes são apenas perturbadas e superficiais.

Eles falam do infortúnio dos outros como se não fosse mais do que o infortúnio de alguém. Não importa se não é relacionado a eles. E mesmo que isso em si possa ser considerado um estado mental, não deixa de fazer deles pessoas sem coração.

É natural para qualquer um sentir mágoas quando se depara com o sofrimento dos outros, assim como a alegria quando vê alguém sorrindo.

Aqueles que não são capazes de amar as pessoas a qual não são diretamente relacionadas — aqueles corações que não são comovidos pelas vidas de seus iguais — são tolos isolados. Eles deveriam se isolar do mundo e cantar suas próprias preces assim como Tengu.

Eu desejo a todos que tenham finais felizes, independente de ser um simples conto de fadas ou qualquer coisa que não tenha relação comigo. Mesmo sendo estupidamente ingênuo e idealista, eu não sinto vergonha de me sentir dessa forma.

Anna-chan: “……Meio que… isso parece muito triste. Eu não gosto disso. Faz meus olhos lacrimejarem e eu sinto que estou quase chorando.”

A pura garota sentiu isso ainda mais forte do que nós. Ela se sentiu abatida apenas de imaginar o absurdo e crueldade disso.

Anna-san: “Uun… mas se essa pessoa realmente existiu, salvá-la deve ser algo bem complicado. Afinal, seu desejo só poderia ser realizado se ele pudesse se tornar outra pessoa.”

Kouhai: “Outra pessoa?”

Anna-san: “Sim, teriam que fazer uma cirurgia de cérebro de ponta para, bem, trocar todo o seu corpo com o de outra pessoa. Se a cabeça dele tivesse algum tipo de rede estranha conectada com outro alguma outra coisa, isso faria com que desaparecesse, eu acho. Não me parece ter nenhuma outra forma, certo?”

“Por isso, precisaria se separar, removendo sua alma e passando para outra pessoa, deixando-o inabitado… Essa não, assim não passaria de uma delusão.”

Senpai: “Francamente. Isso soa tão plausível quanto segurar uma nuvem.”

Anna-san: “Mas, honestamente, a situação mudaria completamente se considerássemos um pós-vida. De fato, se tornaria mais fácil de encontrar uma salvação para ele.”

Senpai: “Por exemplo… Sim, algo como nascer novamente?”

Mulher: “Um popular conceito das culturas orientais. O ciclo da transmigração — Samsara — certo?”

Anna-san: “Sim. Não é ascender aos céus e se tornar um com Deus ou ser punido no inferno, mas renascer e se tornar feliz em troca de todo o sofrimento que você passou em sua vida passada.”

“Se for assim, não apenas o padre da história, mas todos poderiam encontrar a salvação, certo? O que acha, professor?”

Kouhai: “Oh…?”

Isso é realmente algo maravilhoso a se dizer.

Um desejo adequado para uma verdadeira santa. Ah, o que a faz parecer…

Kouhai: “Você é inesperadamente romancista, Anna-san vermelha.”

Anna-san: “Não quero ouvir esse tipo de coisa de você agora! Ter alguém respondendo você de forma tão séria me deixa envergonhada…”

Poxa, até uma heroína de um mangá shoujo ficaria surpresa com essas palavras de puras. Veja, elas fizeram até o professor sorrir.

Homem: “Isso é ótimo. Eu gosto desse conceito de salvação.”

“Embora esse tipo de crença não se adeque bem ao local onde estamos…”

Mulher: “Eu não sei bem explicar, mas não acho que esteja tão errado. Na verdade, eu estou grávida.”

Kouhai: “Hã?”

Anna-san: “É mesmo?”

Fomos surpreendidas de repente com a suave e repentina confissão dela, enquanto sorria gentilmente como uma mãe.

Mulher: “Por isso, eu quero acreditar que essa criança também veio para mim em busca da felicidade. E é por isso gostaria que vocês dois me ajudassem com isso.”

Homem: “Isso é óbvio.”

Filho: “…Sim. Vou cuidar bem do meu irmão.”

Kouhai: “Oh, quanta doçura…”

Um fino sorriso se formou nos lábios do seu filho mal-humorado. A barriga da mãe não demonstrava isso, mas o garoto estava confiante de que logo seria um irmão mais velho.

Senpai: “Bem, deixando isso de lado, eu diria que a transmigração é levemente super protetiva. Afinal, nós vivemos em um mundo cheio de idiotas como ela, que não conseguem fazer nada se você não os incentivar.”

Kouhai: “Você sempre acaba falando isso, senpai… Por que não pode me esquecer por um momento ler o clima ao seu redor?”

Senpai: “Não me importo. Além disso, esse ‘ler o clima’ é uma mal costume da cultura japonesa. Eu não o rejeito por completo, mas definitivamente não é algo bom. Isso apenas aumenta o número de pessoas com emoções desnecessárias reprimidas.”

“Eu tenho orgulho da cultura japonesa, mas eu acho esse princípio inteiramente egoísta. Ele tem raízes no desejo de não ser odiado. De evitar a raiva dos outros. Ele é afeminado e não combina nada comigo.”

“Além disso, você nunca se contém em dizer algo quando está com algum ressentimento contra mim.”

Anna-san: “É mesmo. Afinal, eu lembro de você dizer algo sobre isso.”

“Se não me engano, as exatas palavras foram ‘Ela é a única que não tem medo de mim, por isso, bem… eu não me importo muito com ela.’ Ahahahahaha!”

Senpai: “Sua…”

Kouhai: “Hã? Espera? Sério!?”

Ela disse mesmo algo tão adorável?!

Kouhai: “Senpa~i, finalmente, finalmente, seu lado dere apareceu! Uoo, Eu esperei tanto tempo por isso!”

Senpai: “Eii! Fique longe! Não me toque! Pare de se agarrar em mim, você me irrita!”

“De qualquer forma!”

“O que eu quero dizer é que repreender todas as suas emoções devido a esse egoísmo é algo desonesto com a vida.”

Mulher: “Com isso eu concordo.”

Homem: “A verdadeira gentileza e afeição apenas vem daqueles que vivem suas vidas de forma sincera. De fato, está precisamente correto.”

Kouhai: “E se tirássemos uma foto comemorativa aqui?”

“Vamos preservar esse importante e divertido momento para podermos lembrar dele para sempre. Ele vai permitir refletirmos o que fizemos hoje. O que vocês acham?”

Assim que eu disse, eu peguei a minha câmera digital enquanto a mais energética do grupo respondeu imediatamente à minha sugestão.

Anna-chan: “Concordooo!”

Anna-san: “Eh? Vocês japoneses gostam mesmo de tirar fotos… Sim, eu também vou participar porque eu amo lindas memórias.”

Duas pessoas aprovaram com suas vozes, enquanto os outros apenas concordaram com a cabeça. Apenas um certo garotinho parecia relutante quanto a isso, mas…

Em alguns anos, quando ele crescer e amadurecer, ele certamente vai entender o brilho desses maravilhoso dias mundanos que passavam.

Só de olhar para o passado, seu coração se enche de alegria, relembrando a luz desses belos e efêmeros momentos.

Agora que isso foi decidido…

Kouhai: “Bem… Com licença, senhor zelador!”

Zelador: “Sim, sim! O que você gostaria de mim, animada jovenzinha?”

Kouhai: “Você poderia tirar uma foto de nós? Se possível, à distância, para que o cenário ao fundo possa aparecer melhor.”

Zelador: “Haha. Se é o que quer, será um prazer. Vamos, alinhem-se, por favor.”

“Embora possa não parecer, eu sou bem adepto a tirar fotos daqueles que visitam este lugar. Em um ano já foi me pedido tantas vezes que isso acabou se tornando minha especialidade.”

Oh, que pessoa gentil. Apesar de seu olhar maçante e seu corpo esguio, a forma como ele sorri é como um raio de luz radiante que transmite um estranho ar palpável de auto-confiança.

Por isso, eu entreguei minha câmera para ele sem hesitar, e me apressei para me juntar a todos, que estavam alinhados como se estivessem indo tirar uma foto em família.

Isso fez eu me sentir estranha…mas ao mesmo tempo, muito feliz.

Kouhai: “Certo, vamos esperar que esse encontro tenha sido uma verdadeiro e brilhante milagre…”

Senpai: “Bem, e agradecer a esse relativamente agradável momento que estamos tendo…”

Anna-chan: “Permanecer grato por esse calor de estar junto a outra pessoa.”

Mulher: “Apreciando a alegria de ser capaz de estar abraçado outra pessoa.”

Anna-san: “Não vamos invejar o inalcançável, mas pelo contrário, vamos acreditar que a paz dessa felicidade nunca se distancie…”

Homem: “…e nos permitirmos sermos envolvidos pelos raios de sol do crepúsculo que desce sobre nós todos os dias.”

Filho: “……Eu… também gosto desse tipo de coisa resplandecente.”

Eu não pude evitar de rir daquelas palavras.

No entanto, eu poderia facilmente aceitar a existência de diferentes preferências. E exatamente por causa disso, é fácil para mim dizer…

Kouhai: “Não existe nada mais maravilhoso do que se estar vivo.”

Eu dei o maior dos meus sorrisos para aquela lente que iria transformá-lo em uma agradável memória.

Zelador: “Certo, com todo o respeito ao seu país, senhorita, eu irei fazer isso no estilo japonês.”

“Certo, digam cheese!”

Ah, eu finalmente retornei.

Por mais estranho que isso possa soar, esse sentimento misterioso estava extremamente adequado, e fez eu me sentir como se tivesse sido completamente envolvida por todo esse calor.

── Sim, a luz ilumina sobre toda a criação.

Se aparentando como o amor de uma mãe gentil. Todos — sem exceção — foram agraciados por esse eterno brilho.

Sua fonte equivale a todas as joias no fundo do oceano — um exaltado tesouro uma vez libertado de qualquer influência em troca de uma natureza semelhante a uma pedra. Mas uma vez que ela experimente um determinado número de encontros e despedidas, ela começa a se polir.

Ela passa a conhecer a felicidade de ser tocada, e também a dor de ser separada.

Ela tem pessoas na qual quer proteger e também abraçar a toda a criação.

A Deusa — assumindo o papel principal — desperta e emana toda a felicidade que segura em seus braços.

Repleta de gratidão por aqueles que a levaram para a mais alta estatura, ela fez isso pelo bem do jovem homem que ele amou mais do que qualquer coisa nesse mundo.

Protegida por um belo e imaturo brilho, ainda assim um eternos e querido momento, o calor do crepúsculo continuou a abraçar o cosmos.

Aqueles que executaram seus papéis neste Teatro do HorrorGrand Guignol, assim como os LaçosLegião que o desafiaram, ele abraçou a todos de forma igualitária…

Garoto: “── É por isso que estou perguntando se você está bem ou não.”

O desejo daquela garota na abóbada celeste abraçou a todos…

Garota: “Você já está velha, sabia? Até quando vai ficar agindo como se fosse jovem?”

…nos reunindo aqui mais uma vez.

Diretora: “Se você acha mesmo isso, que tal se começasse a cuidar melhor de mim? Pelas suas palavras, eu já sou uma frágil senhora, não sou?”

“Eu tenho cuidado de vocês desde que eram pequenos, então como você pode ter se tornado um jovem tão devastado?”

Garoto: “Bem, é por causa daquilo, não? Uma certa pessoa intrometida que fez um bom trabalho me disciplinado. Não acha, Kasumi?”

“Afinal, nós éramos os mais problemáticos que aquele orfanato já viu. Bem, tem um motivo para sermos os campeões desde a primeira geração e ainda nos mantermos firmes. Nenhuma criança se aproxima de nós, sabia?”

Garota: “Ou melhor, as crianças de hoje em dia têm espíritos fracos. Tem alguém que mantém uma ou duas crianças corajosas de baixo de sua asa, não é, Kasumi-chan? Eu posso ir e cuidar muito bem deles se quiser.”

Diretora: “É uma pena, mas não. Eu não quero que nossas fofas crianças sofram com a sua má influência.”

Garoto: “Uuwa, isso foi duro. Isso é algo que você diz para o Papai Noel que doa presentes todos os Natais?”

Diretora: “Sim, eu sou muito grata, mas eu ficaria muito feliz se o coelhinho de pelúcia não se transforma-se e dispare-se mísseis.”

Garoto: “Sinto muito. Isso foi ideia dela.”

Garota: “O que achou? Aquilo não é muito legal? Eu fiquei muito orgulhosa dele.”

Ah… Eles não mudaram nada.

Desde a forma casual como se referem aos seus pais adotivos com essa atitude imprudente, direto para a agradável atmosfera dessa conversa — é exatamente igual.

Exatamente como nas minhas memórias, os dois estão aqui agora, sentados na minha cama, sorrindo sem nenhum fragmento de timidez.

Eles sempre foram maliciosos desde a época em que eram crianças, sempre agindo de uma forma completamente absurda. Criar esses dois foi absurdamente mais difícil que criar todas as outras crianças juntas.

Livres e incontroláveis, eles falam comigo sem demonstrar nenhuma forma de respeito com os mais velhos, me tratando como uma velha amiga… Francamente, eu queria que eles parassem de agir assim. Isso nunca falha em acabar com todo sorriso no meu rosto.

De forma similares, eles continuam sensíveis com antes.

Sempre agindo como se não se importassem, mas eles sempre são os primeiros a virem correndo me ajudar.

Eles se tornaram mais sérios e honestos do que qualquer outro… Pode não aparentar pela aparência, mas essas crianças estão sempre pensando nisso.

Diretora: “Fufu, fufufu…”

Garoto: “Ei, ei, por que começou a rir de repente?”

Garota: “Ora? O que foi tão engraçado?”

Diretora: “Nada.”

Por isso, eu não consigo entender porquê me sinto tão bem em ser provocada por eles.

Diferente daquela época, agora eu tenho anos de experiência ao meu lado, e consigo responder a isso com maliciosos sorrisos.

Diretora: “É mesmo, vocês combinam muito bem. Eu sinto que está quase na hora de eu abraçar meu netinho.”

“Vocês já tem idade o bastante, não? Então por que não se acomodam, constroem uma família, e comecem a me mostrar um pouco de piedade filial?”

Dito isso, ele olhou para longe, com os olhos apertados, como se tivesse culpa por algo, enquanto ela o cutucava com o cotovelo.

Garota: “Bem, sobre isso… Ouça só, Kasumi-chan. Ele tem um domínio perfeito sob meus ciclos e sempre evita os melhores dias para isso.”

“Afinal, vamos… Ele trabalha viajando, sabia? É um bom trabalho e tudo, mas precisamos de um tempo para que as coisas ocorram mais naturalmente. Acho que vamos precisar de um ou dois anos até conseguirmos uma estabilidade local.”

“Se fizermos um bebê agora, ele provavelmente vai nascer no exterior, por isso ele está bem hesitante quanto a isso.”

Garoto: “……Ei, está falando demais.”

Diretora: “Ora, o que foi?”

Ele fez uma expressão mal-humorada enquanto coçava a cabeça de forma desconfortável. Enrugando a testa, parecendo incomodado enquanto a olhava de forma evasiva.

Do outro lado, a garota já parecia ter tido o bastante da atitude dele.

Garota: “É por isso…”

“Se não for no Japão, você não vai poder segurar o bebê quando ele nascer.”

A resposta dela atingiu diretamente meu coração.

Ah, entendi. Um inesperado mas comum tipo de piedade filial — não é o tipo de coisa que eu esperaria dele.

Garota: “E é por isso, né?”

Garoto: “……Bem, sim. Brincar com o neto é a única diversão para velhas como você, não?”

“Se tomarmos essa diversão de você, depois você vai ficar nos importunando de forma insistente pra sempre. É melhor nos agradecer, Kasumi.”

Garota: “E lá vai ele, usando das palavras para esconder a consideração que ele tem por você, vovó.”

Diretora: “Ah…”

……Ah, eu desisto. Esse foi um ataque surpresa e tanto.

As palavras dele me afetaram a ponto de me deixar tão envergonhada que chega a ser desagradável.

Diretora: “…O contrarianismo masculino é mesmo um problema.”

Todos sempre se perguntam por que ele é tão obstinado e não se esforça para ser um pouco mais honesto com seus sentimentos.

Dizem que isso faz parte do charme masculino; ser capaz de ver através da tolerância de uma mulher. Não custa ser um pouco sincero sobre isso.

Um amargo sorriso se formou em meus lábios como se eu saboreasse a felicidade que havia recebido. Tendo alguém tão sincero e considerativo me enche de alegria.

Parece que os fragmentos do futuro que eu tanto desejei haviam sido mais uma vez carregados até mim, e estavam bem na minha frente.

E não eram apenas eles…

Diretora: “Podem entrar.”

Professor: “Com licença… Vamos, vocês também.”

Garota de cabelos brancos: “Com licença.”

Garota de cabelos pretos: “Com… licença…”

── A luz daquele radiante momento ainda me envolvia.

Garoto: “Oh, ei, pequeninas! Vieram ver a vovó e agora se depararam com o Onii-chan sensei que está tomando conta dela?”

Professor: “Sim. Essas duas especialmente não desistiram de vir… Espera, ah, vocês duas, não se escondam atrás de mim.”

Garota de cabelos pretos: “M-Mas…”

Ele era o novo professor do orfanato…As duas garotinhas que se esconderam em sua sombra visivelmente estavam sendo cautelosas com aquele cara malvado.

Garota de cabelos pretos: “Diferente de você, ele fede a cigarro…”

Garota de cabelos brancos: “Sai pra lá. O ressentimento do coelhinho ainda não foi esquecido.”

Elas explicaram suas razões para o jovem professor enquanto agarravam fortemente em sua calças, elevando suas vozes de protesto.

Bem, realmente, ele não é do tipo que eu gostaria de ver servindo como modelo, mas apesar da aparência, elas não parece ter algum ódio pessoa contra ele.

Apesar de jovens, as duas apenas têm um bom olho para julgar a personalidade e estavam dando a ele um tratamento apropriado. A diferença nas gerações faz isso ser assim, mas em sua base, as coisas não eram diferentes antes.

Essa visão me trouxe um sorriso, mas parece que ele não foi capaz de entender.

Garota: “Ahahahaha. Como sempre, você não é nada popular entre as garotas.”

Garoto: “Pirralhas inexperientes não são capazes de compreender meu charme.”

“Homens são sempre mais rápidos para perceber o valor de outro homem. Eu sou como um herói para todos os garotos, sabia?”

Professor: “E você tem ensinado boas pegadinhas e instruído eles a como lutar?”

Garoto: “Eles não podem ser criados de forma tão gentil só porque não têm país. Mas em troca disso…”

Professor: “…você diz para eles serem, sobretudo, dignos e protegerem seus amigos e garotas, não importando o quê. Francamente, assim fica difícil para mim repreender você…”

O líder já crescido do grupo de crianças sorriu de um lado ao outro. Era uma boa expressão para quem não podia fazer mais do que lamentar.

Diretora: “Me desculpe por isso. Eu acabei ficando fraca e deixei que você cuidasse das crianças sozinho.”

“Nem foi grande coisa para mim ser hospitalizada… Se possível, eu gostaria de ir para casa o mais rápido possível.”

Professor: “Não se preocupe com isso, diretora. É o meu trabalho, e eu me divirto com isso, então não há problema algum.”

“Em nenhum momento cuidar das crianças foi um problema para mim.”

Seus brilhantes olhos refletiam seus honestos sentimentos…deixando claro para qualquer um que ele era uma pessoa de bom coração.

Ah, em comparação…

Garoto: “E acima de tudo…”

Garota: “…a sua amada se transferiu para o exterior.”

Professor: “Ah, haha…hahahahaha…”

……o objetivo dos dois era falar com a única intenção de deixá-lo envergonhado. Foi o suficiente para eles me deixarem exausta com a ideia de que foi um erro criá-los.

Bem, também há problemas como esses para jovens professores como ele. Até onde eu sei, ele é popular em tudo o que é lugar, desde as garotas mais jovens até as donas de casa da vizinhança.

Em nossa instituição, ele é o professor com o maior número de garotas dizendo que querem casar com ele. Com o passar dos anos, se tornou comum que a maioria das garotas tivessem ele como seu primeiro amor.

Bem, isso poderia ser uma contribuição positiva para seus desenvolvimentos.

Garota de cabelos pretos: “Muuuu…”

Garota: “Você não pode, Hii-chan, eu vou ajudá-la a tomar ele dela.”

Nós temos uma das vítimas dele bem aqui.

Aquelas bochechas inchadas acabaram trazendo um sorriso involuntário ao meu rosto.

Como um pequeno animal com um sorriso adorável. Atenta a tudo e introvertida, mas na verdade é uma criança muito forte e gentil.

Mesmo com uma aparência adequada para sua idade, eu nunca pensei que a veria assim. O que está bem a minha frente é a realidade que me preenche com alegria e também um pouco de tristeza.

Diretora: “Vamos… venham, vocês duas.”

“Obrigada por terem vindo me ver. Ver seus adoráveis rostinhos fez a vovó ficar muito melhor.”

Garota de cabelos pretos: “…É mesmo? Obaa-chan sensei?”

Garota de cabelos brancos: “Você já está bem? Não se force demais, certo?”

Diretora: “Sim, eu ainda posso continuar a trabalhar. Viu?”

Eu as abracei com cuidado, compartilhando nosso calor.

Essas crianças sorrindo em meus braços são imensamente adoráveis. Não posso dizer que estou saudável como em meus dias de juventude já ficaram para trás, mas segurar essas duas demonstrando minha afeição, é algo dentro das minhas capacidades.

Eu posso ter me tornado a obaa-chan sensei… Meu rosto e minhas mãos já estão enrugados, mas eu considero elas uma prova de que eu protegi esse lugar. Não há nada para eu me envergonhar ou me arrepender.

Afinal, eu finalmente fui capaz de obter algo. Me pediram para proteger esse calor da luz do sol que eles tanto amavam, e agora eu consegui.

Sim, é por isso que…

Diretora: “Falando nisso, e aquela criança?”

Professor: “Ela acabou caindo no sono logo depois que eu terminei de arrumar tudo, mas ela estava ansiosa para vir vê-la.”

Diretora: “Entendo…”

Eu não posso dizer isso a eles…mas eu estou muito ansiosa por algo.

Diretora: “Ei, pessoal.”

Eu tive a premonição de que um pequeno milagre aconteceria hoje. É um sentimento vago, mas isso fez com que meu coração se agitasse.

E, com certeza, é algo que ele vai ser completamente envolvido…

Diretora: “Já faz tanto tempo que não vejo a luz do sol. Eu gostaria de ir até o telhado.”

…com todos aqui.

Desejando ver a continuação daquele nostálgico dia, momentaneamente eu me tornei egoísta, assim como em meus dias de juventude.

Pensando nisso, as coisas sempre foram assim.

Constantemente sendo deixada de fora dos acontecimentos, enquanto eles estavam sempre no centro.
Ele sempre voltava todo machucado, ainda assim insistindo em dizer para cuidar daquele dia-a-dia.

Eu me zangava e pedia para ele se explicar, e ele apenas pedia para tomar conta de tudo com um olhar sério do rosto.
De forma relutante, eu acabava sempre por concordar, e ele mais uma vez desaparecia.

Meio século se passou desde então. Eu segui suas palavras mesmo depois que me tornei Matrona do orfanato, guiando muitas crianças.

Diferente dele, eu não protegi esses momentos lutando.
Eu desejava ver aquelas radiantes e jovens vidas deixando seus berços. O papel que eu assumi se tornou parte de mim, e eu não trocaria ele por nada no mundo. Era algo que me dava orgulho.

Tudo isso valeu a pena, eu eu estou feliz por ter vivido dessa forma.

Todas e cada uma daquelas crianças que eu reuni com meu orgulho e alegria. A minha própria medalha de honra.

Eu sou capaz de dizer isso do fundo do meu coração, por isso…

????: “────Oi.”

…eu vim para aquele que eu mais queria me vangloriar sobre isso.

Diretora: “Demorou bastante…galanteador.”

Ele quase tinha um sentido aguçado para quando eu começava esse tipo de coisa desde que éramos crianças… Eu olhei para ele e sorri com meus olhos de menina, repletos de lágrimas.

……Sentindo o vento, eu pensei nas décadas que se passaram entre nós.

Sem ter mudado em nada, e agindo como se o tempo tivesse parado completamente, ele virou seu rosto para mim de forma indolente.

Seus lábios não demonstravam emoções, cortesia, sequer sociabilidades.

Até mesmo a forma como ele expressava sua culpa não mudou nada.

Sua teimosia não o permitia dizer nada a não ser que eu falasse por mim mesma. Ele precisava trabalhar nisso, considerando o quão longa a sua vida seria.

Diretora: “Há quanto tempo. Você continua perambulando por aí, não é?”

“Não comeu nada estranho? Aquilo que entra em seu estômago importa muito, é melhor não ignorar sua saúde. Eu não vou poder cozinhar para sempre, sabia?”

????: “Sério… depois de tanto tempo, é isso que tem para dizer?”

Diretora: “Se você cuidasse melhor dos deveres caseiros, eu não teria que dizer nada. Se não pode fazer tudo isso, você deveria encontrar um lugar para se acomodar. Não precisa ser aqui.”

????: “Sou um filho delinquente, por acaso?”

Diretora: “Se assemelha a um, não?”

Ele com certeza iria embora mais uma vez, eu eu não o iria impedir. Mas ele precisa tolerar ao menos um pouco das minhas reclamações.

Apesar de ser descuidado e indiferente consigo mesmo, ele é muito sensível e preocupado com os outros. Alguém como uma personalidade assim nunca conseguiria seguir um conselho sincero.

????: “Além disso, quem mais precisa de cuidados é você, não é? Você está passando seu tempo em um lugar como esse, não está?”

“Você não vai continuar…jovem para sempre…”

Diretora: “Não precisa se preocupar com isso. Eu ainda pretendo viver mais trinta anos. Eu não pretendo morrer até poder abraçar meu bisnetos.”

“Por isso…você tem suas próprias coisas para fazer. Eu não preciso que você venha para algo tão escasso.”

????: “Eu não pretendia…só aconteceu que eu estava passando por aqui.”

Francamente, essa atitude… Ele acha mesmo que eu não consigo ver através dessas mentiras?

Mesmo ele nunca tendo olhado muito para mim, ele sempre foi o primeiro a aparecer quando eu tinha um problema. É claro que eu entenderia esse seu lado também.

Eu queria que ele parasse de me subestimar assim. Afinal, eu sou sua amiga de infância.

Kasumi: “Ei, não é verdade…Ren…?”

Ren: “…………Kasumi.”

E é chegada a hora de mostrar que ele teve sucesso em ter nos protegido de tudo. Que sua batalha e feridas não foram em vão.

Me movendo um pouco para o lado, eu pude mostrar a ele as pessoas que estavam atrás de mim — os rosto familiares que estavam observando nossa conversa.

Garoto: “……Ei, ele…”

Garota: “Sim… Eu nunca vi ele antes, mas ele parece ter a nossa idade…”

Professor: “É um conhecido seu, Diretora?”

Garota de cabelos pretos: “Ele é seu amigo, Obaa-chan sensei?”

Garota de cabelos brancos: “……Que desperdício de beleza.”

E um por um, cada um deles deu sua impressão sobre ele.

Ren: “────?!”

Momentaneamente ele acabou parando sua respiração levemente.

Não era por tristeza, mas por uma flagrante surpresa e verdadeira alegria.

Ele olhou para cada uma das pessoas enfileiradas atrás de mim, segurando desesperadaemente o impulso que saltava de seu coração.

Diretora: “E então? Não é impressionante? O lugar que eu protegi, não acha?”

Ren: “……Desde o começo, eu nunca…”

Ao invés de me elogiar, ele agiu como de costume.

Ren: “Você sempre foi boa com essas coisas. É um conhecimento comum entre nós.”

Com aquelas palavras nada honestas, o Ren finalmente sorriu para mim.

Não era algo direto, mas mais do que qualquer um, eu podia ver a sincera gratidão refletida naqueles olhos que nos observavam, completamente deslumbrados por nos ver.

Garoto: “…………Hah”

“O quê? Há quanto tempo, onde você andou, Ren?”

Garota: “Hã?”

Professor: “Ah, então é um conhecido seu?”

Garoto: “Isso mesmo. Ele não parece nada diferente de antes, então eu não pude dizer se era mesmo ele quando olhei a primeira vista.”

“Assim como você supôs, ele foi nosso colega por um certo momento, não foi? Olha, é ele, ele!”

Garota: “……Ah, é mesmo.”

“Desculpa, desculpa, eu esqueci completamente sobre você. Você costumava ser mais feminino antes, então eu não devo ter processado seu gênero corretamente.”

“Há quanto tempo, Ren-kun. Como tem passado?”

Ren: “Vocês…”

Shirou e Erii olharam um para o outro.

Vendo o contato visual deles, eu pude perceber ela estava agindo de acordo com o que ele pediu.

Ren: “……Vocês são mesmo insensíveis. Eu pude reconhecê-los no mesmo momento em que os vi.”

“Você não está andando de moto com três pessoas, né? Você é péssimo nisso e é melhor não fazer se quiser continuar inteiro.”

Garoto: “C-Certo… Espera, eu disse isso pra você?”

Ren: “Não sei… Mas qualquer um que faça isso nunca conseguiria fazer uma mulher feliz, então tome cuidado.”

“Vocês também…tenham certeza de não se envolverem com idiotas como ele no futuro.”

“Se possível, tentem se apaixonar por alguém gentil e sincero como esse cara que está com vocês. Caras que ficam sempre causando problemas sempre vão acabar deixando vocês preocupadas à noite.”

“Bem, eu também não sou diferente…”

Garota de cabelos pretos: “……S-Sim…”

Garota de cabelos brancos: “Entendido. Vou almejar uma boa vida casando com alguém rico.”

Aquelas respostas fizeram ele dar um leve sorriso apertando seus olhos como se estivessem deslumbrados com aquele brilho.

Ele parecia contente. Em paz. Por isso, tenho certeza que ele não desejava por mais nada.

Se sentindo recompensado, o Ren começou a pensar em partir, nos deixando. Ele realmente não mudou nada. Mantendo essa pequena luz de alegria trancada em seu coração, ele decidiu ir para que não perturba-se ninguém. Eu conseguia ver isso.

Diretora: “Eu já disse, fique bem aqui. Poxa, você sempre é assim. Dizendo o que quer e indo embora.”

“Fique aqui só mais um pouco. Nós ainda não terminamos de conversar…”

“Além disso, eu ainda tenho o maior dos presentes para dar a você.”

Ren: “Não precisa, já é o bastante. Eu não poderia ficar mais satisfeito do que já estou.”

“Obrigado… Kasumi.”

Sua gratidão estava começando a deixá-lo mais franco, mas não havia dúvidas que naquele momento…

…no momento em que ele passou por mim…

Marie: “Nn, pron…to.”

Uma pequena garotinha.

Acompanhada pela gentil fragrância da luz do Sol…

Ren: “──── Obaa-chan sensei, você está aqui?”

…se juntou a nós no telhado como a maior das provas de radiância que ele lutou para proteger.

Ren: “──a──, ah”

──Vê-la deve tê-lo deixado completamente sem palavras.

A Deusa que ele amou e protegeu enquanto viveu aqueles inesquecíveis dias.

A garota carregando a aura dele fez com que sua alma paralisa-se, como se estivesse sendo envolto por ela.

Marie: “Ah, achei! Obaa-chan sensei!”

“Essas flores são para você! Eu quero que você melhore logo, por isso pensei em trazê-las logo depois da minha soneca…”

Ela estendeu o buquê para mim com um brilhante sorriso adornando seu rosto.

Suas mãos eram pequenas e macias; o calor que emanava delas tremulava, fazendo até mesmo o coração aquecer.

Diretora: “Anda…”

Ren: “a……a, ah──”

Eu gentilmente empurrei ele para frente, todo envergonhado. Ainda perplexo e incapaz de conter as emoções que surgiam, ele se ajoelhou em frente à garota e olhou para seus olhos.

Com lágrimas escorrendo pelos cantos, seu coração batia acelerado em seu peito, e sua mente estava à beira do colapso — Ren olhou para ela como se estivesse testemunhando algo sagrado.

Como se estivesse prestes a chorar…seu masculino rosto estava completamente arruinado.

Marie: “Bem… ué?”

“……Onii-chan, o que foi? Está com dor de barriga? Está triste?”

“Vamos… Dor, dor, vá embora! Vá para bem longe e não volte mais aqui!”

“Viu, agora está tudo bem. Sempre que eu estou triste eu sempre faço isso e mando todas as coisas ruins pra longe.”

“Por isso você está bem agora, Onii-chan. Coisas assustadoras e coisas tristes nunca duram para sempre.”

“Todos, todos podem sorrir de novo amanhã!”

“Porque todos podem ser felizes.”

Ren: “──ghn, ────”

Naquele momento, as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto ── ele a abraçou.

Aquele abraço foi como uma proclamação de como ela era importante para ele. Ren desejou retornar para ela ao menos um pouco da felicidade que ela tinha dado a ele.

Ren: “Ma-Marie… Marie…!”

Uma inundação emoções começou a fluir por aquela criança.

Marie: “Eh? Onii-chan, como você sabe o meu nome..?”

“O meu… nome…”

Ren: “────”

Ainda sendo abraçada pelo Ren, os olhos da garota se expandiram.

Depois de olhar para ele, e para as pessoas perplexas que os cercavam, a pequena Deusa também começou a chorar.

Ela uma vez disse a ele para parar de lamentar, fazendo a importante promessa de que um dia iram se encontrar novamente.

Marie: “───Re…n? Kasu…mi??”

……Aquela promessa foi cumprida bem diante de nossos olhos.

Ren: “Sim, isso mesmo…”

“Eu… nós estamos todos aqui… Para encontrarmos uns aos outros mais uma vez.”

“É tudo porque você abraçou a todos nós… Você nos deu a sua luz sem nenhum tipo de distinção. Você gentilmente envolveu todos com o brilho do Crepúsculo…”

“Obrigado, obrigado, obrigado… Obrigado!”

O milagre que os reuniu o preencheu com uma alegria indescritível, e um amor que só poderia ser expressado através daquelas risadas envoltas pelo choro.

Ren: “Bem-vinda de volta, Marie”

Diretora: “Bem-vinda de volta, Marie-chan.”

Marie: “──Sim!”

“Eu voltei, pessoal!”

Almas vêm e voltam… Os virtuosos, os ímpios, os abençoados e os infelizes.

É impossível impedir que conflitos e guerras ocorram. Nem sempre as pessoas podem evitar dolorosos finais. Mas enquanto ainda houver vidas, cada uma tem agora o direito e a oportunidade de se tornarem felizes.

A gentil Deusa ama todas e cada uma das formas de vida em seu cosmo, sorrindo sobre cada uma delas de forma igualitária. Não é a dourada luz da voraz destruição, mas um amor materno que fluí de forma radiante.

Por favor, encontre sua felicidade. Está tudo bem agora. Você ainda pode permanecer de pé e seguir em frente enquanto eu estiver abraçando você; Olhe em direção ao futuro e não afaste da luz.

O céu escarlate sob nós reluz como o tesouro de uma miríade de sorrisos que nasceram sobre seu olhar. Enquanto considerar isso pode ser insondavelmente assustador, Fujii Ren canta sua ode em celebração em meio a esse eterno momento.

Pare o tempo ── pois você é mais linda do que qualquer um.

Vamos celebrar esse pequeno milagre, e também a adorável Deusa que o concedeu.

O sentimento desse amor que preenche seu peito permanece inalterado…

Ren: “Vamos viver juntos para sempre.”

Ele uma vez jurou que a protegeria. Ren ficaria ao seu lado como se observasse o brilho da transmigração das vidas por toda a eternidade.

Essa é a razão de sua existência, e o juramento gravado em sua alma.
Não importa que tipo de tragédia recaia sobre eles, ele jamais esqueceria essa promessa.
Ela não mudaria e nem seria esquecida mesmo se ele perdesse sua visão e sua voz.

Ren: “Eu amo você mais do que qualquer coisa.”

Essas palavras colocaram na Deusa do Crepúsculo um sorriso que ela exibia para todos.

As memórias de todos brilharam para sempre dentro daquele sorriso puro, gentil e sincero, que certamente iluminará os corações de todos que viveram…essa luz simboliza o seu Trono.