Por acaso já experimentaste da sensação da presciência?

Não refiro-me ao déjà-vu.
Refiro-me a sensação de já saber de antemão.
Esse é um fenômeno que afeta todos os sentidos, incluindo o até mesmo o sexto.
Por exemplo: “eu já testemunhei este cenário”.
“Eu já bebi este álcool”.
“Eu já inspirei este aroma”.
“Eu já escutei esta música”.
“Eu já me deitei com esta mulher”.

Bem como “este sentimento já atiçou minha alma”.

Uma ilusão óptica — uma espécie de ilusão elusiva que gera um erro de reconhecimento do cérebro — uma espécie de ilusão desse tipo.
Diga-me, você já passou por isso?

Reinhard: “Por exemplo, como já termos perdido a guerra uma vez?”

Pois bem, não há como saber até ocorrer. E quando acontece, seu cérebro acredita que foi assim que as coisas originalmente aconteceram; assim você começa a sentir a presciência.
Para você, seria apenas uma premonição, não — uma ânsia pela autodestruição.
Você acredita que perderá esta guerra?

Reinhard: “Sim, é claro que perderei.”

E por qual motivo crê que seja assim, Kemono-dono? Você, um um leal seguidor da Vossa Excelência o Führer, o comandante da Gestapo……se, de fato, há uma alma que melhor conhece os valentes esforços de sua tropa, acumulando vitória após vitória, não pode ser ninguém mais além de você.

Reinhard: “Neste caso, permita-me inquiri-lo: vós realmente acreditas na existência do império secular previsto por Vossa Excelência o Führer e o seu Reichsführer? Como irá me responder, Hermes Trismegistus — meu querido mago elusivo? Vós, o primoroso mago dito cujo estaria a um mero passo de descobrir a verdade divina por trás do universo? Um homem de vosso calibre condenaria tal noção tola? Creio que não.”

Se eles fossem os únicos, eu teria que concordar com sua avaliação, entretanto este país é seu.
A Besta Dourada, o Monarca da Destruição, jurado sucessor da lança do destino, aquele a qual a dita grandeza é capaz de governar o universo — contanto que aqui exista, mesmo o pensamento da derrota não passa da mais pura tola tolice.

Reinhard: “Contudo, eles estão atrás da minha vida.”

Hoh?

Reinhard: “Não precisa demonstrar surpresa como se fosse a primeira vez, afinal acredito que vós saiba tudo o que diz respeito à capital. Tendo isto em mente, eu lhe disse minha resposta: perderemos esta guerra.”

Por acaso pretende morrer?

Reinhard: “Vida e morte nada mais é do que um argueiro. Há um significado por trás de alguém como eu dentre os ranks deles. Já não pode mais ser desfeito.”

Eu compreendo. Realmente, os mortos — independente do conceito — não podem ser revividos. Nem mesmo eu sou capaz disso.
Os falecidos, por definição, estão mortos e, portanto, é impossível restaurar suas vidas. Esta é a agridoce Lei do universo. Os contos de fadas dos jovens, nada mais são do que sinônimos de solilóquios sem fundamento.

Reinhard: “Portanto, se alguém desejar distorcer tal Lei, tal pessoa terá que eliminar tais fabulações — esta é a vossa teoria?”

Reze e será concebido. Chore e um milagre descenderá. Eu diria que tal oportunismoDeus Ex Machina é a própria definição do mal. Se as Leis do mundo são, de fato, construídas de tal maneira, não há dúvidas de que nossas preces teriam alterado o curso do próprio cosmo.
Não existe tal paraíso dos sonhos, onde todos são igualitariamente abençoados com a Fortuna. Este mundo é impiedoso, não detém de misericórdia, sendo forjado apenas por sangue e loucura. Portanto, se alguém deseja forçar sua própria vontade ao mundo, precisará contaminar-se com ambos.

Se um deseja salvar uma vida, outras mil devem então ser oferecidas.

A destruição é muito mais simples que a ressurreição. Esta é outra verdade presente no mundo onde todos pilham seus iguais. Mas devo divagar.

Você não aparenta deter da intenção de impedir a sua própria morte. Ao menos, demonstra assim que desejou fazer o Führer e o Reichsführer acreditarem.

Reinhard: “A percepção da morteMemento mori — um expressão pela qual detenho de certo apreço. As pessoas jamais devem esquecer de seus eventuais finais. A morte detém do peso da alma.”

Entretanto, acima disso, este único fato faz de você a alma perfeita para transcender a vida e a morte.

Reinhard: “Transcender é a sua marcaRuna, não é? Tudo o que governo é a destruição.”

Destruir as própria Leis permita a transcendência…….Fumu, permita-me reformular minha afirmação anterior: A destruição é muitos mais simples que a ressurreição, mas detém de maior significado. Não—

Nunca houve a necessidade de retornar à origem.

Reinhard: “O que significa?”

Meramente busco dizer que a repetição é um processo agoniante, Kemono-dono. Por exemplo, você mesmo teve seus próprios anos de infância.

Nessa época, cada dia não demonstrava-se assustadoramente longo? E um ano inteiro? Não se comparava a uma eternidade?

Reinhard: “Decerto, o mundo de uma criança emana o desconhecido, oferecendo muitas coisas ainda não conhecidas e um grande número de coisas a serem aprendidas. De tal forma, o tempo realmente flui de forma vagarosa.”

Afirmativo. Está precisamente correto. Ou seja, a vida do homem é uma jornada de aprendizado para aprender sobre o desconhecido e transformar o conhecido.
E é assim que eu vejo. O pai que todas as noites repete os mesmo sermões. A mesma mãe que, todos os dias, prepara a mesma refeição. A mesma vizinha que sempre exibe o mesmo rosto sorridente. O mesmo pássaro que sempre cantarola o mesmo tom. O mesmo cheiro inalterada de sua própria casa.

Por ultimato — o mesmo Sol que sempre se põem no horizonte.

Ah, é mesmo enfadonho. O mundo é mesmo um lugar tedioso.

Isto é o que o homem nomeia como “envelhecimento”.
Uma marcha, passo a passo, na direção do túmulo.

Entretanto, mesmo assim, apesar de ficar mais lívido a cada ano que passa, a humanidade é capaz de encontrar a felicidade ao ser capaz de experimentar o desconhecido. É por tal qual que as pessoas vivem.

Reinhard: “Ou seja, vós, incapaz de experimentar do desconhecido, não está vivo?”

Supomos, apenas uma suposição, que existira um ser na qual o próprio conceito do desconhecido fora removido de seu nascimento.

—Presciência.

Sua vida consiste meramente em continuar a repetir coisas já sabidas, em um mundo já conhecido.
Consegue conceber um destino mais infernal que este?
Desde seu princípio concebido sem vida, portanto, incapaz de falecer.
Não, ele não pode morrer.

O que desejo é a prova de que nasci neste mundo.
O indecidido desejo pelo desconhecido.

Eu devo instrui-lo sobre os cruéis sempiterno mistérios deste universo.
Você possui a coragem para ouvi-los? Algo que nunca antes contei para ninguém? Ter um vislumbre dos segredos que detém da divina verdade que comanda a própria construção deste universo?

Reinhard: “Antes de responder, permita-me uma pergunta: por que vós pretende concedê-lo a mim e apenas a mim?”

Porque eu o venero, Kemono-dono.
Você é forte, você é belo, e, acima de tudo, é assustador.
Durante a minha dita vida eterna, eu nunca antes encontrei um humano como você; uma existência tão próxima ao inferno.
Você é o primeiro—
Dentre todos que vi e ouvi, permanece sendo o mais próximo de um demônio.

Reinhard: “Mas que clichê, Carl. Não são raras as ocasiões em que sou chamado de demônio.”

Quanto mais próximo o descritor, mais próxima são suas palavras de um clichê.
Não proclamarei que o fogo é como a água.
Fogo, como fogo deve ser; água, como água deve ser; e você, como um demônio deve ser.
Você me intitulou como sendo um mago, mas, infelizmente, devo informar que não o sou.
Apenas o forte desfruta do privilégio de ser descrito como simples.

Eu sou consideravelmente fraco.
Minha essência constantemente vacila, possuindo tantos nomes que não cabe contar todos.
Fraco.
Incorrigível.
Frágil.
Este sou eu.
Uma existência banal; sequer sou digno de ser comparado à sua supremacia.
Contudo, é precisamente o que me permite compreender.
Desejas permitir a mim ouvir sua resposta?

Reinhard: “Pois bem.”

Reinhard: “Vós nomeou-me como supremo, entretanto, eu pensei que seria nomeado assim. Carl, meu amigo……eu também o venero. Eu desejo voar próximo aos vossos segredos. Esta sensação conhecida como presciência também é parte do ciclo?”

Infelizmente é o que se apresenta. Quando ocorre de seu cérebro acreditar que fora assim que tudo ocorreu originalmente, você começa a sentir a presciência.
É agonizante, é vexatório. Mesmo tendo encontrado-o e sido exposto ao seu inferno, eu ainda não estou vivo, sendo assim, não posso morrer.

Reinhard: “Entendi, eu compreendo. Como se estivesse suportando vosso sofrimento.”

Se assim é, peço que entenda… se desejas comandar a destruição—

Reinhard: “……Interessante. Iremos destruir tudo?”

Sim, este país, este mundo, tudo que nossos olhos puderem visar, iremos destruir.
Céu e Inferno, Deus e Diabo — tudo e a todos dentre os bilhões de universostrichiliomegachiliocosm.
Até nos depararmos com algo que ainda não devastamos
Até que superemos esta presciênciaghetto — será quando —

Reinhard:Sim, é mesmo, eu já tive este mesma conversa com vós, não foi?

Afirmativo. Afirmativo. Milhões de vezes já repetimos, mais do que poderíamos contar.

Neste momento, nós ainda somos mantidos prisioneiros.

Justamente por isso “ele” é necessário.

—Zarathustra.