Parece que levou dois dias inteiros para eu recuperar a consciência depois daquilo que aconteceu.

Eu fechei as cortinas para evitar ter que olhar para aquele céu deslavado.

Eu não queria ver o mundo exterior mudando daquela forma. Só de olhar para aquilo minha fatiga aumentava. Desde que eu acordei aqui, isso foi tudo o que cheguei a fazer.

Eu sei que esse lugar não está seguro. A cidade se transformou em uma ruína inabitada, como se fosse o palco temporário de algum filme barato.

Essa……Essa é a real situação da cidade em que vivemos.

Eu não fui capaz de fazer nada para impedir.

……O buraco na parede, a pequena janela que conectava meu quarto ao da Kasumi, parecia tão distante. Parecia que ela fosse colocar a cabeça para fora seu eu batesse na parede…pensamentos ingênuos como esse começaram a passar pela minha cabeça.

Ren: “……………”

Rea: “……………”

Evitando meu olhar… a senpai sentou ao meu lado na cama sem dizer nada.

Nós já havíamos dito um para o outro tudo o que tínhamos para dizer. Por isso, sem mais nada a dizer, nós permanecemos lado a lado em silêncio, como se fôssemos esculturas de madeira. Tudo que podia se ouvir era a nossa fraca respiração.

Como se fôssemos crianças abatidas. Nossos corpos pesados e feridos sucumbiram à pressão de nossas fraquezas, bem como o caminho que escolhemos seguir.

Marie……

Não houve resposta ao meu chamado. O olhar das três certamente está aqui, mas antes que eu percebesse, eu parei de sentir sua presença no meu braço direito.

Será que ela também está triste e abatida? Será que ela realmente desapareceu… eu não sei dizer.

Eu sei que ela estava se culpando, arrependida de suas decisões. Não faz muito tempo desde que o seu coração nasceu……Sempre que pensava nisso, eu verificava de novo e de novo o peso do meu braço, mas nada.

Eu orei para o instrumento de execução que residia em meu braço. Eu pedi ,do fundo do meu coração, que ela não desaparecesse.

Por isso, vamos, Marie, por favor. Você é uma das poucas que eu prezo… uma das últimas que eu jurei proteger.

E……enquanto eu ficava pensando em coisas assim.

Rea: “Ei…”

Subitamente… a senpai murmurou.

Rea: “Estava pensando em outra garota agora, não estava?”

Ren: “Hã? Ah, não……”

Na mosca, ela acertou na mosca, me deixando completamente sem reação.

Rea: “E eu ainda acertei? Bem, tanto faz.”

“É claro que é aquela garota que eu encontrei outro dia, né?”

Ren:“Bem, sim……”

Elas se encontraram pela primeira vez no clube. Lembro que naquela ocasião ela disse algo sobre a Marie ter explicado toda situação para ela, embora eu não saiba dizer exatamente o que foi, ou se ela conseguiu compreender a Marie.

Rea: “Aah, não precisa ficar explicando. Não é como se eu quisesse saber, só fiquei um pouco curiosa.”

Ren: “Curiosa…?”

Rea: “Você deve estar se sentido muito responsável por tudo, não está? Eu pensei nisso depois que o vi explicando as coisas para ela.”

“E acabei ficando curiosa sobre o que você explicou para ela.”

Ren:“……………”

“Por que está me olhando assim?”

Não, nada de mais. Só senti que você poderia ter tido uma ideia errada por causa de um mal entendido.

Ren: “Eu não dei desculpas. Não tenho nenhuma.”

A última vez que tive a chance de falar com a Marie foi no castelo. Desde que acordei ela não tem respondido aos meus chamados.

Rea: “Mesmo? É meio desapontador, então.”

Assim que eu disse a embaraçoso e honesta verdade, a Senpai desviou seu olhar.

Rea: “Eu não gosto muito de ficar me metendo e criticando outras pessoas, mas não acha que aquela garota é um pouco precária? Como se pudesse se misturar a qualquer cor. Como se não precisasse ser você, Fujii-kun.”

Ren: “……………”

Rea: “Alguma ideia sobre isso?”

Sim, tenho até demais. Eu tenho postergado muito essa questão, mas a Marie mudou muito seu comportamento desde o dia em que encontrei o Reinhard na igreja.

Ela começou a rir, ficar furiosa e até chorar, como se fosse uma garota normal……e eu não me importei muito, pelo contrário, fiquei feliz em ver como ela estava se tornando mais humana, mas é possível que eu tenha cometido um grande erro ao fazer isso.

Ren: “Você está certa, Senpai, aquela garota realmente foi sendo influenciada pelos meus sentimentos.”

“Pensando nisso, toda vez que a Maria dizia algo emocional, eu também não estava raciocinando normalmente.”

Rea: “Essa não é outra forma de dizer que vocês se combinam?”

Ren: “Pode até ser, mas, de qualquer forma, não posso negar que sua impressão está certa. Tem algo realmente precário nela.”

Por algum motivo, naquela hora, a Marie também ficou muito agitada quando eu fiquei em fúria no castelo — como se estivéssemos em sincronia.

E no fim, olha como terminamos. Eu posso ter obtido poderes, mas perdi completamente meus sentidos e fui psicologicamente alterado……não posso dizer isso na frente da senpai, mas desde aquilo, eu sinto sobrescrito a Marie com algo terrível.

Com a minha própria ânsia……

Por isso, antes de tudo, eu deveria ter tentado entender mais sobre ela ao invés de pensar em desculpas sem fundamento. Como estou agora, eu claramente não posso negar que foi omisso.

Ren: “Eu causei muitos problemas, por isso……gostaria de fazer algo a respeito.”

“Sim, mas sabe? Você parece estar culpando a si mesmo por isso, mas acredito que ela também deva estar fazendo o mesmo, não acha?”

Ren “Hã?”

Rea: “Estou dizendo que é muito cedo para assumir que ela não querer ver você é igual a ela odiar você. Acredito que ela simplesmente não consegue encará-lo agora.”

“Pessoalmente, é assim que eu a vejo.”

Ren: “…………”

De fato, o que ela está dizendo faz sentido. Eu estou pensando em inúmeras coisas, assim como a Maria também está.

De qualquer forma, não há como consertar nada sem antes começar falando com ela……

Rea: “…………”

Eu já sei que tentar chamá-la aqui e agora não vai funcionar e eu também não tenho sobrando para me envolver em alguma situação perigosa e forçá-la a aparecer.

Nossa situação não permite margem para tal, embora eu ainda me pergunto como eles abrir a sétima Swastika se não tem mais ninguém na cidade. Eles não se colocaram em um impasse, incapazes de de prosseguir enquanto eu não fizer meu movimento?

Rea: “…………”

Não, mas… eles mesmo invocaram o castelo. Eles não seriam idiotas ao ponto de prejudicarem a própria situação.

Se é assim, o que eu deveria fazer……

Rea: “…………”

Neste momento, tenho que pensar o que é que eu mais devo priorizar……

Rea: “Ahem!”

Uma tosse abrupta interrompeu meus pensamentos.

Rea: “Tudo bem encarar com seriedade, Fujii-kun, mas por que não começamos uma conversa mais divertida?”

Ren: “De onde eu… vou tirar uma conversa divertida agora?”

Rea: “Por exemplo, quantos ursos nascem morrem diariamente em Kumamoto.”

Ren: “……………”

Rea: “Quem foi a primeira pessoa a pensar que inserir “kuma” no final de falas de personagens que são a personificação de ursos.”

“Ou o que aconteceria se você encarasse um urso de mãos nuas.”

Bem, ignorando essa última piada meio inapropriada.

Ren: “Senpai, você tem algo contra Kumamoto?”

Rea: “Não. Nadinha.”

Uma resposta tão direta e monótona assim não ajuda em nada……

Por algum motivo, ela parece zangada comigo e desviou seu olhar.

Ren: “Bem… eu fiz alguma coisa?”

Rea:“Nada.”

Não é o que sua atitude indica.

Rea: “Você não fez nada, e isso está me incomodando um pouco.”

Ren: “Quê……?”

Rea: “Eu estou dizendo que você não fez nada comigo, Fujii-kun.”

Rea: “……………”

Não adianta dizer isso assim que não tem como eu entender.。

Rea: “Sei lá, talvez seja minha impressão, mas acredito que trocamos algumas provocações e dramaticidades há pouco.”

“Do seu ponto de vista, não foi nada demais? Você parece se dar bem com outras garotas e mesmo estando diante de mim, prefere ficar pensando nelas.”

“Se eu tivesse que dizer em uma palavra, seria um fraudador de casamentos.”

Ren: “Não……”

Pessoalmente, eu não lembro de ter mencionado nada sobre casamento.

Rea: “Na verdade, eu só não sei sobre o que devo falar.”

Realmente, ela está certa sobre ambos termos dito diversas coisas uma para o outro. Embora eu não estivesse consciente de parte disso, eu me lembro vagamente de tudo.

Sempre que tive que lidar com esse tipo de coisa, eu sempre fiquei tenso e envergonhado, sem saber como agir.

Rea: “Por isso sugeri falarmos de coisas divertidas, entendeu?”

Ela mostrou um sorriso vago e agarrou minhas mãos.

Rea: “Não devemos ficar só pensando em coisas sérias e tristes.”

“Se ficar tentando carregar tudo, eu posso acabar te deixando.”

“Eu já tinha dito que era um péssimo hábito nosso, lembra?”

Em silêncio, eu assenti. Até parece que eu iria esquecer.

Rea: “Isso pode soar um pouco estranho vindo de mim, mas eu não acho que nós tenhamos uma boa afinidade. Por isso, precisamos de alguém entre nós, ou não funcionamos.”

“Como o Yusa-kun ou a Ayase-san, e também aquela garota……qual era mesmo o nome dela?”

Ren: “Marie.”

Rea: “Como a Marie-chan. Sem alguém assim, nós estamos propensos a ruir.”

“Embora com o Shirou eu também seja meio assim……”

“Sim, ele também é assim, mas sempre alivia o ambiente quando está por perto.”

Ren: “Alivia? Eu diria que ele apodrece……”

Rea: “Tanto faz.”

Indicando que queria que eu ouvisse, ela apertou minha mão e falou.

Rea: “Precisamos olhar para frente agora. Vamos ser mais despreocupados.”

Senão, a realidade da situação só acabaria sendo ainda mais deprimente de se encarar — foi como entende o queria ela queria passar.

Rea: “Para evitar esse nosso péssimo hábito, vamos banir seriedade e depressão.”

Ren: “Não sei se isso vai funcionar bem.”

Ela ignorou meu comentário amargo e continuou falando em um tom de alegria.

Rea: “Você gosta de mim, Fujii-kun?”

Isso foi tão repentino que fiquei completamente confuso.

Rea: “Eu gosto de você, sabia?”

Mas ela continuou sem a mínima hesitação.

Como se ela tivesse que dizer isso agora para mim, a todo custo.

Rea: “A Riza é a minha bisavó. O Isaak é o meu avô.”

“Então, eu disse a ela que gostava de você, e ela respondeu que era assustador.”

Ren: “Assustador?”

O que isso quer dizer? A linhagem sanguínea dela já não me surpreende mais, mas ela não gostar é o que me deixa confuso.

Ren: “Do que ela tem medo?”

Rea: “Eu não saber explicar exatamente o motivo pelo qual gosto de você.”

Ren: “Isso……”

Me pergunto quantos namorados e casais no mundo fazem isso mas, seja como for, eu acho muito suspeito aqueles capazes de explicar tão rapidamente os motivos por trás de suas emoções.

Rea: “Ela parece ter ficado com medo de algum poder de atração. Sendo sincera, eu também estou com um pouco de medo.”

Ren: “Por quê?”

Minha timidez inicial foi dissipada pela indignação de ter nossos honestos sentimentos negados por um motivo irracional.

Ah, bem, eu deveria estar feliz que ela se sente assim por mim. Não é hora de tentar ficar me exibindo agora.

Ren: “Eu também gosto de você, Senpai.”

Que vergonha.

“Bem, tem algum problema nisso também?”

Diante da minha pergunta, ela demonstrou uma expressão confusa e olhou diretamente nos meus olhos.

Rea: “O Isaak é loiro de olhos azuis, não é?”

Ren: “———”

Rea: “A Riza ficou com medo porque ele estava crescendo e ficando igual ao pai.”

“O que acha que isso significa?”

Ren: “………Quer dizer…”

Como assim?!

As circunstâncias demonstram evidências, mas dada a nossa situação, só há uma resposta.

Rea: “Esse sangue pode estar correndo em minhas veias também.”

“E você, Fujii-kun……”

Mercurius……Carl Kraft… são os líderes companheiros da Távola Redonda Obsidiana.

Rea: “Começou a ficar com medo, né?”

“Mesmo assim, eu não tinha certeza se você diria que gostava de mim……eu fiquei com medo, mas falei mesmo assim.”

Enquanto falava, os ombros dele tremeram levemente.

“Bem, no fim eu sou como uma mina, sabia? É o pior cenário que consigo imaginar e normalmente você não iria querer se envolver comigo.”

“Pessoalmente, eu fiquei realmente assustada quando pensei sobre mim mesma. A Riza também sentiu o mesmo, por isso pensei que eu suportaria vê-lo ficar um pouco assustado agora. Sim, estou bem.”

E mesmo assim, a fim de mascarar seu medo, ela acabou entrando em uma longa tangente fora de suas características. Não faço ideia do porquê ela pensou que isso a ajudaria a esconder, mas acho que isso faz parte de quem é a garota chamada Himuro Rea.

Rea: “Além disso, não temos provas. Até parece que alguém no mundo aceitaria o desafio de pedir um teste de DNA aquele homem.”

É por isso que eu gosto dela.

Rea: “Ah, saco. Está começando a ficar deprimente, então vamos parar com isso. Vamos esquecer isso e falar sobre Kumamoto.”

Não precisa fazer essa cara, como se tivesse feito algo de errado. Está tudo bem.

Rea: “Então…ursos, ursos… sabia que existe um curry de urso?”

Ren: “Isso é em Hokkaido.”

Dizendo isso, eu segurei nos ombros dela.

Rea: “………!”

Ren: “Está deixando seu péssimo hábito tomar conta, Senpai.”

Ela começa toda empolgada e confiante, mas quando chega nisso ela sempre fica assustada. Eu não acho que seja o suficiente para aliviar as suas preocupações, mas se ela quer conversar, tudo que posso fazer é acompanhá-la.

Ren: “Não fique mudando de assunto assim, eu ainda nem disse nada.”

Ao que parece, nossa química não é das melhores.

Não é como se fôssemos começar a discutir quando nos vemos, mas quando estamos juntos, nossos pensamentos tende a ficar deprimentes.

Por isso, eu busquei aliviar as coisas……se é assim que ela quer se relacionar, não tenho nenhum objeção.

Então……

Ren: “Você disse que era como uma mina.”

“E disse que era o pior cenário possível, né?”

Isso não faria dela…

“É um atributo incrível para uma heroína, não? Seu personagem se destaca bastante assim, sério.”

Rea: “……………”

Diante da minhas palavras, ela arregalou os olhos e sem saber o que fazer.

Ren: “Sem contar que seu aniversário é no Natal, logo mais.”

“Isso é muito incrível, sabia? Algo divino. Não acho que tenham outras no mesmo nível que você.”

Rea: “Ah, hmm……bem…”

Ela começou a murmurar e suas bochechas ficaram completamente vermelhas.

Rea: “Então, eu sou……a sua…”

Ren: “Sim, minha heroína.”

Assim, eu também não consegui conter minha vergonha e a abracei com força.

Rea: “Eu sabia… eu sabia que era um fraudador de casamentos.”

Sério, eu não faço ideia do que a leva a pensar isso de mim.

Rea: “Vou ficar brava se estiver mentindo. Mesmo que que acabe sendo uma mentira não intencional.”

“Se tentar bancar o cara legal e morrer, eu vou invocá-lo no castelo do Reinhard na mesma hora, ouviu……”

Por que está dizendo algo tão perigoso?

“Se não quer isso, cumpra com sua promessa.”

Ren: “Sim, eu prometo.”

H-SCENE VERSÃO ACTA SOON™

Eu vencerei. Eu jurei que nunca mais perderia para eles.

Enquanto tremia, ela me abraçou e eu correspondi ao seu abraço, sentindo ainda mais afeto pelos pequenos braços trêmulos em meu amplexo, para ter certeza de deixar gravado o nosso calor em seu corpo e suas memórias.

Sim, independente do que aconteça……eu jamais a deixarei ir.

Eu a abracei ainda mais forte, como se quisesse impor esse fato em alguém invisível.

Eu nunca mais perderei nada nem ninguém.

──Eu irei proteger a todo custo, tudo aquilo que ainda me resta.

E ficarei orgulho de mim mesmo e minha ingênua convicção. Você pode até zombar das minhas palavras, relembrando que eu já perdi mais do que poderia proteger, mas eu não me importo que diga isso.

Eu irei proteger a senpai ─ irei proteger Rea Himuro a todo custo.

Essa foi a minha promessa final. Envolvido por gentileza e afeição, eu fechei meus olhos e gravei isso em meu coração, jurando nunca quebrar essa promessa.